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Por Cláudio Magnavita

Baiano de nascença, Augusto Aras retorna à terra natal depois de nomeado como Procurador-Geral da República, para a solenidade de 50 anos da Tribuna da Bahia, realizada no dia 21 de outubro na Associação Comercial da Bahia. No evento, Aras fez uma defesa à liberdade de imprensa, comentou sobre a canonização da Irmã Dulce e o atual momento político que vive o país.

CM: O seu discurso fala sobre liberdade de imprensa. O senhor poderia repetir a importância do Procurador-Geral como guardião da liberdade de imprensa?  

AG: Todo Ministério Público brasileiro, não só o Procurador- -Geral mas todos os seus membros, deve zelar, deve guardar a liberdade de expressão por ser um atributo inerente a uma autêntica democracia. Onde não há liberdade de expressão, não há democracia, ao menos no seu conteúdo substancial. 

CM: O senhor poderia falar sobre a Tribuna da Bahia e a importância deste evento e da aula de jornalismo que deu?

Para um jornalista experiente como você, Magnavita, é um verdadeiro elogio em ouvir isso. Primeiro porque não tenho formação jornalística, mas leio jornal desde que aprendi a ler. E a imprensa é como eu tenho dito sempre: eu me sinto mais comprometido em garantir o dever que tem a imprensa de informar verdades, do que censurar em qualquer forma a imprensa.

CM: A imprensa nacional disse que o senhor se reuniu com o presidente Bolsonaro e trataram dessa crise no PSL. Vocês chegaram a falar sobre isso?

AG: Em hipótese alguma. A minha conversa foi o retorno de Roma e uma cortesia para agradecer o convite para integrar a comitiva oficial.

CM: E sobre a crise entre o presidente e o PSL?

AG: Isso é uma questão partidária. O presidente pode falar sobre ela e o seu grupo, mas é uma questão interna do partido. O Procurador-Geral não pode cuidar de um assunto partidário.

CM: O senhor foi a Roma para a canonização da Irmã Dulce. Qual a importância para o país em ter uma santa neste momento?

AG: O ambiente de fé encontra na baianidade a sua maior expressão. A Bahia tem o privilégio de ter nas suas raízes culturais uma forte influência de diversas culturas e diversas religiões. Isso faz com que na nossa cerimônia de canonização, víssemos baianas vestidas a caráter, pessoas de todos os credos e religiões, traduzindo esse grande sentimento de confraternização e fraternidade.

CM: Os valores da Irmã Dulce são importantes para esse momento de cisão nacional?

AG: Os valores da Irmã Dulce podem se concentrar na caridade. Ela era a obra do próprio cristianismo na sua essência. Só se pode falar em Cristo e a sua doutrina se falar em amor ao próximo.

CM: O senhor viajou a Roma com recursos próprios?

AG: Paguei as minhas despesas e da minha esposa, independentemente de qualquer ônus do Estado brasileiro. Todavia, eu fiz parte da comitiva oficial.

CM: A revista “Veja” deu que o senhor não vai aceitar novas delações até que todas estejam ali, na gaveta da PGE.

AG: Eu jamais disse isso. Aliás, quero registrar minha felicidade em ver o lema da Tribuna, que garante o que se lê, pois 90% ou mais do que se fala em meu nome não é o que realmente.