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Por Nicola Pamplona (Folhapress)

A AFBNDES (Associação dos Funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) agendou para esta sexta (13) protesto contra a demissão de um técnico acusado de vazamento de informações sigilosas. A entidade diz que a medida desrespeitou recomendação de sindicância e é "tentativa de intimidação".

É o segundo protesto por punição a funcionários desde a posse do presidente da instituição, Gustavo Montezano, em julho. "Está na hora dos empregados do banco responderam às ações de intimidação da atual diretoria", disse a entidade.

Gustavo Medeiros Soares foi acusado de compartilhar apresentação sobre o plano de abertura de dados do BNDES, lançado no mês passado como uma resposta à missão de "abrir a caixa preta" do banco, dada a Montezano pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em carta divulgada pela AFBNDES, o funcionário justifica que o arquivo estava em uma pasta pública, que não deveria conter documentos sigilosos, e que foi compartilhado apenas com colegas do BNDES. "Fui injustamente demitido de forma arbitrária e tendo negado o meu direito de defesa", escreveu.

Ele foi à Justiça tentar reverter a decisão. "Sinto que fui utilizado como instrumento para aterrorizar os funcionários. Já ocorreram casos muito mais graves que o meu e nunca foram tratados dessa forma", afirmou, na carta divulgada pela AFBNDES.

A associação diz que a demissão vai contra a recomendação de um processo de sindicância realizado em agosto para apurar o caso. Alega ainda que não houve vazamento, já que o compartilhamento da informação ficou restrito a outros funcionários.

Em outubro, houve protesto contra a destituição de uma superintendente por divergências com relação ao modelo de venda de ações da carteira do banco. O processo culminou com a demissão do diretor de Investimento, André Laloni, que havia sido nomeado pelo próprio Montezano.

Luciana Tito ocupava a superintendência da área Jurídica Operacional e se opunha à inclusão das ações do Banco do Brasil em mãos do BNDES em oferta pública que a Caixa Econômica Federal realizou para vender papeis daquele banco estatal. 

Na época, a AFBNDES disse que não havia tempo hábil para analisar se a oferta de ações seria a melhor maneira de se desfazer dos papeis do BB e que Tito perdeu o cargo "por não se dobrar a pressões que comprometeriam a governança da instituição".

Laloni foi demitido uma semana depois e, no fim de outubro, o banco anunciou novas regras para a venda de ações de sua carteira. Sobre a demissão do diretor, Montezano disse na época que teve pouco tempo para montar a equipe e que já esperava ajustes. 

O BNDES ainda não comentou o assunto.