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Por Marcio Studart

O que têm em comum nomes veteranos da política brasileira, como o ex-presidente Lula, o ex- -deputado Eduardo Cunha e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral? Simples: todos estão presos graças a ações da Operação Lava Jato nos últimos anos. Eles cumprem pena em estados diferentes. Lula, por exemplo, está na Superintendência da Política Federal em Curitiba (PR), enquanto Cunha e Cabral estão no Rio.

Mas essa distância poderá ser encurtada antes do fim de suas respectivas penas. De acordo com notícias que circularam semana passada, o governo federal está considerando a ideia de manter um novo presídio federal somente para, digamos, a elite da corrupção no Brasil - pelo menos, no entendimento da Lava Jato.

Se tudo correr bem, o presídio para uso exclusivo desses e outros tantos políticos e empresários será localizado na pequena cidade de Charqueadas, a 600 quilômetros de Porto Alegre (RS). Em janeiro do ano passado, o município transferiu para a União a área de 25 hectares onde será construído o presídio, próximo à BR-290. 

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem apenas 2.600 pessoas cumprindo pena pela Justiça Federal. Boa parte deles é de presos perigosos, ligados a tráfico de drogas ou líderes de fações criminosas, por exemplo, e há quem prefira mantê-los distantes de sentenciados de colarinho branco - como políticos e empresários.

Segundo “O Globo”, os administradores dos presídios estaduais onde estão os meliantes de colarinho branco alegam que não têm estrutura para receber os presos “famosos”, que acabam desestabilizando o sistema.

O governo conta hoje com apenas cinco unidades prisionais federais, que demandam maior rigor disciplinar: Campo Grande (MS), Catanduvas (PR), Mossoró (RN), Porto Velho (RO) e Brasília (DF). Os planos iniciais, desde o governo Michel Temer, previam a construção de outros cinco presídios, mas somente o do Rio Grande do Sul deve sair do papel. 

Ainda há muito a ser discutido a respeito, até porque o presídio de Charqueadas não ficará pronto tão cedo. O governo tem em caixa R$ 44 milhões para a construção da unidade, que só deve entrar em operação em 2023.

Até lá, se a Lava Jato continuar ativa, certamente o número de políticos e empresários sentenciados a cumprir pena em presídios federais crescerá bastante - talvez até superlotando a nova cadeia.