No Dia Nacional da Conscientização sobre Mudanças Climáticas, jovens lutam pela Emenda de Kigali

Dezenas de jovens da ONG Engajamundo mobilizam cidades brasileiras pela ratificação da Emenda de Kigali pelo governo brasileiro para marcar o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas (16 de março). Houve nos últimos dias colagem de cartazes e projeções em 12 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Belém, Porto Alegre, Feira de Santana (BA), Russas (CE), Guarulhos (SP), Santarém (PA) e Santa Cruz (PE).

A emenda acrescenta ao Protocolo de Montreal metas para a redução dos gases hidrofluorcarbonetos (HFCs), usado nos aparelhos de ar condicionado. A ratificação – que tem de ser feita pelo governo de cada país – abre acesso a um fundo de US$ 100 milhões para a atualização tecnológica das fábricas brasileiras.

Além disso, a ratificação seria uma sinalização diplomática importante ao novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que acaba de levar os Estados Unidos de volta ao Acordo de Paris e já se comprometeu com a aprovação da emenda. No caso brasileiro, a ratificação já passou por todas as comissões da Câmara dos Deputados, mas está há mais de um ano parada na mesa da Presidência da Casa.

O movimento pela Emenda de Kigali mobiliza diversas entidades e instituições de pesquisa sobre eficiência energética e mudanças climáticas. Aprovada em 2016 na capital de Ruanda, a emenda estabelece redução gradual no consumo desses gases. Embora não causem danos à camada de ozônio, os HFCs têm potencial de aquecimento global duas mil vezes maior que o gás carbônico.

"Nossa geração está lutando para que os aparelhos de ar condicionado no Brasil tenham mais eficiência energética e impactem menos no aquecimento global”, explica Madalena Glaênia, coordenadora do Projeto Kigali no Engajamundo, que participou da colagem de cartazes e das projeções feitas pela ONG em diversas capitais do país.


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Clauber Leite, coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), também destaca a importância da aprovação para a indústria nacional. "A ratificação vai alinhar a indústria brasileira às tendências do mercado internacional, aumentar a competitividade e colocar o Brasil na rota da inovação”, afirma.

Um relatório de novembro de 2020 do Observatório do Clima revelou que o Brasil é o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta e que, em 2019, as emissões registraram o maior aumento desde 2003. Quando aprovar a Emenda de Kigali, “o país dará uma sinalização positiva aos investidores sobre seu compromisso com uma economia de baixo carbono, com a inovação e a competitividade”, defende Rodolfo Gomes, diretor executivo do International Energy Initiative - IEI Brasil.

A Emenda de Kigali tem mais de cem nações signatárias, o que permitiu sua entrada em vigor em janeiro de 2019. Hoje, 100% do mercado japonês e a maior parte dos países europeus já adotam condicionadores de ar com fluidos de baixo potencial de aquecimento global. Essas tecnologias também começam a dominar os mercados chinês, americano e indiano. Ao alinhar o Brasil com as tendências globais, a Emenda de Kigali impede ainda que o país se torne destino de tecnologias ultrapassadas, fenômeno conhecido como dumping tecnológico.

A questão da eficiência energética torna-se mais relevante diante do crescimento no consumo de ar-condicionado no Brasil. Hoje, estima-se que o território nacional tenha mais de 28 milhões de aparelhos instalados, com tendência de crescimento anual de 10%.


ENTENDA A EMENDA DE KIGALI

A Emenda ao Protocolo de Montreal foi aprovada em 2016 em Kigali, capital de Ruanda, estabelecendo um cronograma de redução gradual no consumo dos hidrofluorcarbonetos (HFCs). Tais substâncias, para as quais já há alternativas seguras para a indústria, são poderosos agentes de efeito estufa. Seu principal uso é como fluido refrigerante em refrigeradores e condicionadores de ar.

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São Paulo também já recebeu a campanha. Foto: Engajamundo.


Criada para, entre outros objetivos, defender a aprovação da Emenda pelo governo brasileiro, a Rede Kigali reúne as entidades International Energy Initiative - IEI Brasil, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Instituto Clima e Sociedade (iCS), Engajamundo e Projeto Hospitais Saudáveis (PHS).