Coluna Magnavita: Refit: Um esquema super refinado (Parte V): Maior sonegador e réu de ações criminais usa marca UFC

Coluna Magnavita: Refit: Um esquema super refinado (Parte V): Maior sonegador e réu de ações criminais usa marca UFC

UFC contraria ato anticorrupção (FCPA) ao ceder sua marca para Refit, maior sonegador do Brasil 

Por Cláudio Magnavita*

 A união de duas siglas poderá causar problema em uma terceira. A parceira da UFC com a Refit é possível de enquadramento no temido Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) do governo dos Estados Unidos.

O quartel-general da UFC, fica na 6650 South Torrey Pines Drive, em Las Vegas, estado de Nevada. O prédio foi concluído em 2017 e tem uma área total de 60 mil m². A empresa é regida pelas leis norte-americanas e as do estado de Nevada.

O FCPA é uma lei federal para combater o suborno de  funcionários públicos no exterior. Refere-se  a todos os atos de corrupção cometidos por empresas ou pessoas, americanas ou não, estabelecidas no Estados Unidos ou simplesmente listadas na bolsa de valores em território norte-americano, ou que participem direta ou indiretamente de empresas nos EUA.

Em 1º de julho de 2021, o maior devedor de ICMS do Brasil, réu em dezenas de processos na justiça brasileira e denunciado criminalmente em dezenas de outros pelo Ministério Público, anunciou pomposamente a sua parceria com a UFC.  A Refinaria Manguinhos (Refit) passou a utilizar a marca  da UFC em seus produtos, exatamente a gasolina sobre a qual recaem as acusações de sonegação fiscal e alvo de denúncias criminais.

Só no Rio a dívida de impostos sonegados ultrapassa a US$ 1.200.000.000,00 (um bilhão e duzentos milhões de dólares). A FIT Combustíveis anunciou no seu site que fechava parceria com a UFC, classificada por eles “como a maior organizadora de MMA do mundo”, e anunciou uma linha de combustível aditivado com maior octanagem (RON 93). Na época, Carlos Cotta, presidente da FIT  Combustíveis afirmou: “Estamos orgulhosos pelos resultados obtidos com a nova linha de produtos e sua exclusiva fórmula, e de podermos juntar esforços com a UFC, marca que é sinônimo de alta performance e inovação”. Pelas declarações do vice-presidente sênior da UFC, Eduardo Galetti, a empresa norte-americana não pode dizer que não teve tempo para tomar conhecimentos  que estava fechando acordo e cedendo a sua marca ao maior sonegador de impostos do Brasil, acusado criminalmente pelo Ministério Público, além do presidente da Refit, Jorge Monteiro, como seu principal acionista, João Manuel Magro, pai do advogado Ricardo Magro.  Galetti afirmou à imprensa, na época do acordo, e a informação consta no site oficial da Refit: “O lançamento da linha de combustível FIT-UFC é resultado de uma parceria de três anos com a Refit. Ao longo desses anos, trabalhamos de perto, explorando novas oportunidades de integração de nossas marcas que culminaram na criação de um produto inédito para a UFC”.

Os três anos mencionados por  Galetti seriam suficientes, com  uma simples pesquisa no Google, para descobrir os problemas que atingem a Refinaria Manguinhos e seus dirigentes e acionistas, que se enquadram no FCPA, o ato contra corrupção, razões pelas quais essa relação foi levada ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos e à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA,   a U.S. Securities and Exchange Commission. Para agravar a situação do UFC perante o FCPA, corre no meio jurídico de Brasília a informação que Ricardo Magro teria firmado um acordo de delação premiada, entregando nomes graúdos da política brasileira.      

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã