Coluna Magnavita: Refit: Um esquema super refinado (Parte X): Digitais de Ricardo Magro nos pagamentos de honorários

Coluna Magnavita: Refit: Um esquema super refinado (Parte X): Digitais de Ricardo Magro nos pagamentos de honorários

Receita de Manguinhos é pela Yeld para escapar da justiça

Por Cláudio Magnavita

A Agência Nacional de Petroleo (ANP) está em pé de guerra com a possibilidade da indicação do advogado Walter Agra, como publicou o site Antagonista. É conferir o site www.swadvogados.com.br. Sabem quem é Salon Benevides? O pai de Gustavo Benevides. Sabem quem o Gustavo? Diretor da Magro Family Foundation, em Coral Gables, na Florida, coautor de vários artigos junto com Ricardo Andrade Magro, que aparecem repetidamente no blog.

Não há como separar a notícia do Antagonista, sobre a possível ida de Walter Agra para uma das três diretorias da Agência Nacional de Petróleo, com a migração do esquema de Manguinhos para dentro da ANP, que estaria atuando no segundo e terceiro escalões para prejudicar as concorrentes e evitar punições contra a refinaria.

É possível identificar a coluna vertebral da operação de Ricardo de Andrade Magro na Refinaria Manguinhos com a leitura das notas explicativas às informações trimestrais individuais e consolidadas. Elas revelam uma teia de empresas, montadas em efeito cascata, que permite camuflar a operação e o fluxo financeiro de um esquema que já lesou o estado do Rio em R$ 6.800.000.000,00 (seis bilhões e oitocentos milhões de reais) segundo a Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz).

Em leitura mais cuidadosa, porém, é possível encontrar o impossível: as digitais do próprio Ricardo Magro nas operações. Mas elas estão lá. Sempre no item 8.3 ou 8.2 no balanço trimestral, está lá a rubrica de pagamento à Magro Advogados Associados. A cada trimestre são pagamentos altíssimos, que saem do caixa da empresa direto para o seu principal operador. Em 30 de junho de 2021, a Magro Associados recebeu de Manguinhos R$ 23.027.000,00 (vinte e três milhões e vinte e sete mil reais). No balanço de 31 de março de 2021, o valor é R$ 10.225.000,00 (dez milhões, duzentos e vinte cinco mil reais). Em 30 de setembro de 2020, a Magro Associados recebe R$ 22.798.000,00 (vinte e dois milhões, setecentos e noventa e oito mil reais). Esta sequência de pagamentos milionários segue pelos outros balanços trimestrais.

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É a primeira vez que existe o registro de um pagamento dos cofres da Refit (Manguinhos) direto para Ricardo Andrade Magro sem passar por terceiros.

Isso é, porém, café pequeno. Muito pequeno, aliás, com relação à Yield Financial Service S.A.. Um empresa, cujo emaranhado levará o Ministério Publico bater na porta de João Manuel Magro, pai de Ricardo, que aparece como o principal acionista. TODO, isso mesmo, todo o faturamento da Refinaria Manguinhos, para fugir dos bloqueios judiciais, é realizado pela Yield Financial. No balanço do trimestre de setembro de 2020, a Yeld movimentou R$ 1.471.255.000,00 (um bilhão. quatrocentos e setenta e um milhões, duzentos e cinquenta e cinco reais). Já na pandemia, a Yeld, em março de 2021 movimentou R$ 703.858.000,00 . Em junho de 2021, R$ 888.938.000,00.

Em recuperação judicial, que não ultrapassa R$ 70 milhões, a empresa concede um crédito a fornecedores do mesmo controle acionário de R$ 874.333.000,00, ou seja dez vezes o valor da recuperação. No mesmo balanço, de junho de 2021, aparece o ICMS a recolher: R$ 5.931.874.000,00 (cinco bilhões, novecentos e trinta e um milhões, oitocentos e setenta e quatro mil reais). Dinheiro que pertence ao estado do Rio.

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã