Coluna Magnavita: Refit: Um esquema super refinado (Parte XI): Lista de passageiros do jatinho da Refit pode revelar laços políticos

Coluna Magnavita: Refit: Um esquema super refinado (Parte XI): Lista de passageiros do jatinho da Refit pode revelar laços políticos

Sedução da Refit envolve ministro e lideranças do Governo

Por Cláudio Magnavita*

Por que o assunto Refit, Refinaria Manguinhos, entrou na paisagem e há um silêncio de cumplicidade das autoridades e de quem deveria correr atrás do prejuízo? A resposta é simples. A teia de aranha criada neste gigantesco negócio envolve tentáculos que chegam a pontos inimagináveis, inclusive no Palácio do Planalto.

O principal gestor deste esquema, o advogado Ricardo Andrade Magro, descobriu uma fantástica máquina de fazer dinheiro e, como consequência, distribui-lo a pessoas e pontos-chaves. Da festa de carnaval na qual ele, sendo já um devedor do Estado, colocou R$ 20.500.000,00 (vinte milhões e quinhentos mil reais) na mão da Liesa, atendendo a um pedido do Estado e que serviu para bancar o super camarote do ex-governador Wilson Witzel, com uísque 12 anos, com três andares  e 500 convidados por dia, o maior caloteiro de ICMS do Estado  fez sua dívida saltar de R$ 2.500.000.000,00 (dois bilhões e quinhentos milhões de reais) para, segundo a SEFAZ, para R$ 6.800.000.000,00 (seis bilhões e oitocentos milhões de reais).  Na prática, esse dinheiro entra, só que não é recolhido. 34% da receita da Refit é destinada ao ICMS de toda a cadeia produtiva, esse valor fica retido na refinaria e nenhum centavo é repassado ao estado do Rio.

Nenhum outro concorrente tem essa vantagem competitiva. Apesar de ter sócios minoritários, foi criado um ciclo completo que coloca toda a receita em um bolo só. O Postalis, o fundo dos Correios, que tem 16% das ações, é solenemente ignorado. A refinaria funciona basicamente para dois clientes. Quem são eles? 79 Oil e Rodopetro. Sabem a quem pertencem? À família Magro. Sabem de quem exportam matéria-prima? De uma empresa do mesmo grupo. Sabem quem fatura? A Yeld, empresa do grupo. O rabo de fora ficou por conta do escritório de advocacia que presta serviço a toda as empresas da teia, a Magro Associados, de Ricardo de Andrade Magro. O mesmo ocorre com um único escritório de contabilidade. É nesses honorários milionários que o CPF de Ricardo de Andrade Magro fica exposto.

A conexão que envolve o senador Ciro Nogueira e a família Bezerra (senador e deputado) pode ser apurada através do uso do PR-MFJ, o jatinho CJI que foi usado por diversos políticos, principalmente quando o advogado Marcos Joaquim cuidava dos assuntos do Ricardo Magro. Os manifestos de voos, que podem ser facilmente resgatados pelo Ministério Publico através da ANAC e Infraero, são de assustar. Há quase um ano já denunciávamos a Magro Airlines, que funcionava como avião privado do famoso advogado. Ele era o comodatário da aeronave, e quem pagava a conta do seu uso era o esquema de Refit.

Hoje são as estrelas do Centrão encasteladas no Planalto que estão a serviço deste esquema pilotado a partir de Miami, já que, depois da sua prisão, Ricardo Magro só retorna ao Brasil de forma clandestina, via fronteiras terrestres. Não se trata só de um esquema milionário que teve sua gênese no Governo Benedita, com personagens que ressurgiram das cinzas. É a fonte de uma série de ilícitos que se instalou na antessala da Presidência da República e agora quer colocar o advogado/sócio Walter em diretoria da ANP. Este assunto não pode entrar na paisagem. Quem fica em silêncio é cúmplice deste esquema.    

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã