Vínculos em dose dupla ligam a família Itabaiana ao Gabinete do Governador

Confirmado que genro e filha do juiz Flávio Itabaiana ocupam cargos de confiança no Guanabara

Por Cláudio Magnavita *

Na edição do Diário Oficial , na seção destinada à Justiça Estadual, na seção V, dedicada a editais, disponibilizada no dia 26 de abril às 17h45m, com data de publicação 27 de abril de 2010, trazia o edital referente ao processo 25229, de 10 de abril de 2010 com o seguinte teor:

“RODRIGO PINHEIRO DE CASTRO CERQUEIRA e NATALIA MENESCAL BRAGA ITABAIANA NICOLAU, solteiros, ele filho de Marcelo Cerqueira de Almeida e Patricia Pinheiro de Castro Cerqueira, ela filha de Flavio Itabaiana de Oliveira Nicolau e Christiane Figueiredo Menescal Braga. PROCESSO 25229 , 16/04/2010. Quem souber de impedimentos, acuse-os.”

Este proclama de casamento, unia no Diário da Justiça os noivos com o pai da consorte, Flavio Itabaiana de Oliveira Nicolau.

Pelo edital não há margem para dúvidas, os dois servidores nomeados em 2019 para o Gabinete do governador Wilson Witzel são o genro e a filha do juiz, que ocupou as manchetes dos jornais por ter decretado a quebra do sigilo do senador Flávio Bolsonaro e a prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz, uma semana depois de o governador ter afirmado na porta do Palácio, no seu desabafo após a operação policial no Laranjeiras: “pelo que nós temos, o senador Flávio Bolsonaro deveria estar preso!”

Em entrevista exclusiva ao Correio da Manhã, o senador acusou que estava sendo vítima de uma ação arquitetada pelo governador e que a sua defesa apontava que a filha do magistrado trabalha diretamente com o governador.

O que seria uma infeliz coincidência é agravada pela informação que não só a Natália, mas o seu esposo Rodrigo trabalha no gabinete do governador.

A situação fica preocupante, quando o próprio juiz vem a público, justificando que não há impedimento entre o vínculo empregatício da filha com Witzel, com a sua atuação no caso Queiroz. O magistrado deveria na mesma nota já antecipar que o seu genro também estava na mesma situação. Só a existência desta omissão, obriga o juiz a uma nova justificativa e a explicar o porque não antecipou o duplo vínculo, aumentando a nuvem de suspeição que paira sobre o caso.

O Correio da Manhã publicou na edição de sexta-feira a possibilidade de Rodrigo Cerqueira ser genro do juiz Flávio Itabaiana. O caso era tão inusitado que apostamos em uma hipótese remota, fato reproduzido em todo o noticiário que repercutiu a nota do nosso jornal.

O edital não deixa dúvida dos vínculos. O casal está contratado com o piso mais elevado do funcionalismo. Não são funcionários apenas do Estado, estão lotados diretamente no gabinete do Governador, os dois.

Um ditado romano, civilização berço do Direito, afirma que “a mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta!”

Se neste caso não há uma ilegalidade, como o próprio juiz afirmou, existe sim, vínculos em dose dupla que permite que se preste atenção nas afirmações do senador Flávio Bolsonaro, sobre os vínculos da família Itabaiana com o Gabinete do Governador.


O Tribunal de Justiça, sob o comando do ex-corregedor Cláudio de Mello Tavares, tem primado pela preservação da imagem do Judiciário. Uma infeliz coincidência como esta, em dose dupla , não pode misturar a corte com a acusação de ter virado um braço nas guerras políticas que são travados no Guanabara.

Coluna Magnavita

* Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã