Coluna Magnavita: O garrote vil do Tesouro Nacional no Estado do Rio

Tesouro Nacional anula ganhos da privatização da Cedae

A falta de pulso do ministro Paulo Guedes com a sua equipe do Tesouro Nacional tem colocado em risco o futuro da recuperação do Rio.

O Tesouro Nacional teve um entendimento contrário à permanência do Rio no regime de recuperação fiscal, e vem demonstrando uma contínua má vontade para buscar soluções negociadas. O estado mais fiel ao presidente Bolsonaro está sendo massacrado nas negociações com uma equipe de técnicos que colocam suas birras acima das orientações do presidente e do próprio ministro Paulo Guedes.

Na hora que o Tesouro não apresenta solução para os compromissos vencidos entre setembro e dezembro de 2020 e veta a cláusula do PLP 101, que excluía a dívida do BNP Paribas como obrigação de exigibilidade imediata, elimina qualquer cenário de renegociação da dívida que já estava sendo realizada.

Para compreender o cenário: é como se um correntista estivesse com R$ 10 mil reais negativos no cheque especial e recebesse um depósito de R$ 2 mil na conta. O dinheiro novo evapora, reduz muito pouco o saldo negativo e não ajuda em nada o custeio do correntista. É dinheiro bom colocado em uma dívida ruim. É exatamente isso que pode ocorrer com o valor da privatização da Cedae.

Alô, Alô, Tesouro: o Rio está agora sob nova direção!!!

A equipe do Tesouro não realizou até hoje um aceno favorável ao Rio. Não compreendem a mudança de personagens e estão presos à herança deixada pela gestão Witzel, que, na sua soberba e falta de diálogo, pagou para ver. Agora são os novos interlocutores que herdam a má vontade gerada pelas promessas não cumpridas pela equipe anterior.

Na mesa com o Tesouro, não há um meio-termo. O Rio caminha para a guilhotina fiscal, que pulverizará todos os ganhos da venda da Cedae. O estado do Rio corre o risco de ter o dinheiro novo em uma conta negativada. Querem que o nosso estado entregue a sua joia da coroa para pagar uma dívida que o próprio BNP Paribas estava disposto a negociar.

O Tesouro Nacional é subordinado à estrutura econômica do Executivo. Paulo Guedes e o presidente Bolsonaro devem colocar a lupa no que está ocorrendo e nesta má vontade contínua contra o Rio. A equipe do Tesouro precisa compreender que o estado está sob nova direção e que seria insano publicar o edital da Cedae em um clima de tamanha hostilidade e falta de diálogo.

Para o Rio não restará outra alternativa além de judicializar.