Coluna Magnavita: Neymar e sua festa privada

Por Cláudio Magnavita*

O sucesso no Brasil custa caro. Temos aprimorado o dom de pulverizar os nossos ídolos. O que está acontecendo com Neymar neste fim de semana é vexaminoso. O craque do PSG vai fazer uma festa privada, durante cinco dias, para até 500 pessoas. Não quinhentas por dia, mas no total do evento, só com alguns pontuais.

Poderia ter ido para Ibiza ou qualquer lugar paradisíaco, mas escolheu Mangaratiba. Não cobrará ingressos e será 100% privada, paga por ele. Promete, de pés juntos, que vai respeitar as regras. Nada é clandestino.

Se ele não cumprir regras de distanciamento, máscaras e protocolos sanitários a responsabilidade será sua. A condenação por antecipação é ruim para a sua imagem e já repercutiu no mundo, que torce pela crucificação do jovem talentoso.

Se a festa ocorrer ela se enquadra na norma dos bombeiros. Segundo o comandante geral, o Coronel Leandro Monteiro: “Em relação à fiscalização dos eventos de fim de ano, os Comandantes de Unidade devem levar em consideração que o decreto nº42, de 17 de dezembro de 2018, (novo COSCIP) isenta de regularização junto ao CBMERJ edificação residencial privativa unifamiliar e que os eventos privados realizados em imóveis residenciais, que não caracterizem prática de atividade econômica, ficam isentos de autorização do CBMERJ, desde que mantida a destinação residencial privativa e atendidas as medidas de segurança contra incêndio e pânico exigidas para o imóvel.”

Além disso, a Nota Técnica nº 5-04:2019 – Eventos temporários de reunião de público –deixa claro não ser aplicada a “eventos de caráter particular, tais como aniversários, casamentos, bodas e assemelhados, desde que não haja montagem de estruturas para destinação de público. Cel BM Leandro Monteiro - Secretário de Estado de Defesa Civil”.

A cidade de Mangaratiba tem como prefeito Alan Campos da Costa, reeleito com 51% dos votos. O seu nome político é “Alan Bombeiro”, pois ele pertence aos quadros da corporação. Apoiado na nota técnica, ele pode enfrentar este período sem sustos e torcer para que o craque realize seus cinco eventos absolutamente dentro das regras.

Em medida radical, Alan Bombeiro proibiu a queima de fogos no Réveillon. Só que não excluiu os Resorts da região, que estão trabalhando com 50% da capacidade e são produtos de natureza, ideal para o turismo na pandemia.

Se Neymar entrar em campo, que siga a regras como faz a cada partida do PSG. Só não pode ser derrubado pelos adversários, que, neste caso, fazem por inveja, já que sua intenção é de ser feliz.

Ao prefeito, reeleito, que considere os apelos do Resorts e permita as queimas privadas, dentro dos limites, para os hotéis que estão respeitando as normas impostas pelo Ministério do Turismo e legislação estadual.

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã