Coluna Magnavita: Segredo de família: genro de Mandetta no Governo Witzel

Por Claudio Magnavita*

As ligações do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta nas confusões da máfia da saúde do Rio, denunciada no Tribunal Misto do Impeachment durante a oitiva de Edson Torres, ganham novos capítulos.

O Correio da Manhã apurou com exclusividade que o genro do ex-ministro ocupou alto cargo na gestão Witzel durante boa parte do mandato de Mandetta. Maurício Pessoa Buarque Franco Neto, casado com Marina Alves Mandetta, conforme edital de proclamas publicado em 18 de setembro de 2017, foi nomeado pelo governador Wilson Witzel em 8 de agosto de 2019 para o cargo de DAS-8, da Secretaria de Cultura, função que exerceu na Casa de Cultura Lauro Alvim. Sua esposa
Marina, advogada, chegou a ser apontada pela revista Veja por ter turbinado seu escritório de advocacia com contratos com empresas ligadas a Unimed.

O tráfico de influência de Mandetta no governo do Rio é bem anterior ao escândalo da pandemia e coincide com o estremecimento das relações de Bolsonaro e Witzel. Por isso foi sempre mantido a sete chaves. O responsável pela aproximação foi o assessor especial do governador, Valter Alencar Pires Rabelo, ex-candidato do PSC no Piauí. Ele costumava chamar secretários para jantares regados a bons vinhos com a filha e o genro do ministro. Entre eles, o secretário de Saúde Edmar Santos, que criou um linha direta com os Mandetta.

Coluna Magnavita

O genro ganhava R$ 7.630,00 como assessor e ficou no função durante todo o período da crise da saúde. Sua exoneração foi em 1º de junho de 2020, no auge da crise, o período de embate público de Bolsonaro e Mandetta.

No depoimento como testemunha, Edson Torres afirmou que Edmar Santos conheceu Roberto Bertholdo do IABAS (o pivô da crise dos hospitais de campanha) no gabinete de Mandetta. A partir desse ponto, o instituto recebeu tratamento diferenciado. O que ninguém compreendia era a relação de Mandetta com o estado do Rio, que agora fica claro com o genro no mais alto cargo de assessoria.

*Claudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã

Coluna Magnavita