Coluna Magnavita: PSC perde o Governo do Rio. Legado de Everaldo apodrece a legenda

Coluna Magnavita: PSC perde o Governo do Rio. Legado de Everaldo apodrece a legenda

O importante passo de Castro ao desembarcar do fétido PSC

Por Cláudio Magnavita*

Um café da manhã nesta quinta-feira, 20 de maio, em Brasília, com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sela a nova filiação partidária do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

É um passo importante e corta o seu vínculo com o PSC, partido do qual era filiado histórico, anterior ao “golpe” do pastor Everaldo Pereira, que assumiu a legenda com assembleias – que foram contestadas na justiça pelo presidente do partido, Vitor Nósseis, afastado no que ele considerou um golpe promovido pele pastor.

O PSC no Rio vinha consolidando um espaço político respeitável, conduzido pelo seu presidente estadual, Ronald Azaro, também atropelado por Everaldo, que chegou a tentar expulsá-lo da legenda, além de afastá-lo do diretório nacional. Foi na Era Azaro que Castro se candidatou a vereador pela primeira vez, com apoio de Hugo Leal e de Marcio Pacheco, único deputado estadual do partido na época.

A investida do pastor contra Azaro gerou um clima de comoção no PSC. O processo de expulsão foi abortado, mas Azaro resolveu desligar-se da legenda, deixando Everaldo livre para as suas articulações e o uso do partido para seus negócios. Ou melhor, para suas negociatas, resultando nos problemas que o levaram à prisão e até ao impeachment de Wilson Witzel. Como dono da legenda, sem oposição interna, Everaldo pintou e bordou. Contratou o próprio Witzel e a sua esposa Helena.
Sem maiores vínculos com Everaldo, o então vereador Cláudio Castro foi indicado para vice de Witzel. O que seria uma aventura acabou vingando. Várias vezes Pereira reclamou que deveria ter indicado o filho, Felipe Pereira, que concorreu a deputado no mesmo pleito e conquistou menos de 14 mil votos. O próprio pastor, candidato ao Senado, teve apenas oito por cento da votação do seu candidato ao Governo. Derrotado, Felipe foi nomeado assessor especial do governador e ganhou uma sala próxima a Witzel. Ele foi preso, tirou férias e depois pediu exoneração, já com Castro como governador em exercício.

Deixar o fétido PSC é um passo necessário para Cláudio Castro separar o joio do trigo. Deve fechar o governo aos negócios de Everaldo ainda existentes e a presença costumaz dos seus prepostos no Guanabara.

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã