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Por Claudio Magnavita

Assistimos hoje uma tentativa de desconstrução política do presidente Jair Bolsonaro por um constante embate com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e com o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado.
Os dois querem dar lição ao presidente de como agir no contato com o seu eleitor e principalmente pousam com vestal dos bons costumes.

Circula em Brasília que existia uma torcida velada para que o segundo teste de covid-19 do Bolsonaro desse positivo. Ele seria imediatamente trucidado por uma alcateia política e da mídia por ter cumprimentado o povo que se reuniu na frente do Planalto no último dia 15.

Esses argumentos de oposição caem por terra com o resultado do exame. Quem correu risco não foi a população, mas o próprio presidente, já respaldado por um primeiro exame negativo.
O que faz o ódio da turma do “quanto pior melhor” ou ainda da Rede Globo de Oposição é o carisma e o respeito de Jair Bolsonaro com a sua base eleitora.

É um fenômeno, movido muitas vezes por uma sintonia física que levou multidões aos aeroportos e que levam as pessoas à histeria coletiva por uma foto ou aperto de mão do mito. Até nos eventos do Palácio, com uma claque diferenciada isso ocorre.

O grande paradoxo é ver Maia e Alcolumbre tentar dar uma aula de postura ao presidente. É neste ponto, sobre o contato com as massas e sintonia com eleitorado, que uma reflexão profunda merece ser feita.
O melhor balizador da vida democrática é o voto. Ele é soberano e estabelece um critério de representatividade.

Como os embates de Rodrigo Maia e de Davi Alcolumbre com Bolsonaro estão no plano do pessoal, muitas vezes por birra ou pirraça, em uma tentativa de luta de braço para saber quem ganha é preciso colocar uma lupa sobre o ativo eleitoral dos dois, é neste ponto que qualquer um fica assustado.

Davi disputou a mesma eleição de 2018 concorrendo ao Governo do Amapá. Perdeu! Ficou em terceiro lugar. Teve menos votos do que a sua eleição ao senado em 2014. Quatro anos após ser eleito senador, teve apenas 94.278 votos ou seja 23,75%. Na disputa para o Senado em 2014, conseguiu um pouquinho mais, 131 mil, superando em apenas 7 mil votos o ex-senador Gilvan Borges.

É preciso analisar também a eleição de Alcolumbre para presidir o Senado. O resultado que se desejava era a derrota de Renan Calheiros, e o consenso em torno do senador do Amapá se deu com este objetivo.
Uma relação umbilical une Davi e Rodrigo.

Os dois são dirigentes de uma mesma legenda partidária, os Democratas, ex-PFL. Raras as vezes que as duas casas foram presididas por um só partido e ainda por cima minoritário.
Só este vínculo partidário permite qualquer ilação sobre a atuação conjunta dos dois. Eles possuem a mesma legenda e estão de olho partidariamente nas eleições de 2020.

Já o deputado Rodrigo Maia vive uma curiosa gangorra eleitoral. Em 1998 teve 96.385 votos; em 2002, 117.229; em 2006, o seu ápice, com 235.111; 2010 despenca para 86.162; em 2012, 95.328, e em 2014 o pior desempenho, com 53.167. Quase fica fora do quadro de eleitos.

O curioso é que foi exatamente neste mandato conquistado de forma pífia que ele é eleito presidente da Câmara, para substituir o seu colega de bancada do Rio, Eduardo Cunha, cassado e preso depois. É eleito em 2018 com 74.232 votos, menos de 1% do colégio eleitoral fluminense.

O grande paradoxo, repito, é um senador de 131 mil votos e um deputado de 74 mil (um terço da sua maior votação), tentar ensinar a um presidente eleito em 2018 com quase 58 milhões votos como tratar o povo que se arrisca em ir às ruas para demonstrar o seu apoio eleitoral em um momento conturbado do planeta.
Estamos acostumados com presidente impopulares e que se acovardam atrás dos rituais do cargo.

Que não param na porta do Palácio para falar com a imprensa e desprezam o povo.
O jogo da oposição velada, explícita ou televisiva usar o quadro de pandemia para condenar uma conduta de um presidente popular’ e com um jeito de ser é mais sórdido do que se poderia imaginar.

No mundo todo, o momento é de união, de fortalecer o papel dos governos, os únicos com a chave para a crise, e não de tentar desconstruir um presidente ligado historicamente às massas.