Por Claudio Magnavita*

Quem assistiu ao depoimento do ministro do Turismo e Cultura, Marcelo Álvaro Antônio, na Comissão das Mulheres da Câmara dos Deputados, no último dia 20, testemunhou o desmoronar de uma farsa que durante oito meses tentou afastar o ministro do seu cargo. Convidado para ir à Comissão, e não convocado, o ministro, que é deputado, foi de peito aberto. Não se acovardou, como muitos esperavam.
O seu depoimento foi sereno, apesar de traduzir a indignação de quem foi vítima de longa batalha midiática, provocada por motivo torpe da deputada Alê Silva. Foi a primeira vez que ela, como acusadora, foi confrontada com o seu acusado. Para a torcida oposicionista, seria um massacre; o efeito foi reverso. A deputada implodiu! Ficou claro o motivo da sua raiva: ter sido preterida do direito de indicar 32 dirigentes de diretórios dos municípios no qual foi a mais votada, em Minas.
Foi curioso ver uma deputada, que se diz fiel ao presidente Jair Bolsonaro, fazendo coro com deputadas do PT e do Psol. Foi assustador saber que o jornal de maior circulação do país deu voz à tentativa de derrubar um ministro, endossando uma briga paroquial.
Nos governos anteriores, mergulhados em mar de lama, a estratégia teria dado certo. Mas  o presidente não cedeu, e o ministro pôde ter uma ampla defesa.
O momento mais vergonhoso foi o final da audiência. Após ouvir as ofensas de oposicionistas, Alê Silva, autora do requerimento para a sessão, simplesmente levantou-se e saiu. Para a plateia constrangida, ficou claro que tudo tinha sido apenas um factoide criado para alimentar a mídia. Foi a primeira vez que um parlamentar que subscreveu o pedido de uma sessão abandonou o barco. Ao deixar a sessão de forma covarde, Alê Silva perdeu, para os colegas, o seu último fiapo de credibilidade.
O país tem que separar o joio do trigo, e a honra de um homem público não pode ser jogada aos leões, por uma condenação midiática antecipada.  

*Claudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã