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Por Affonso Nunes

Bebendo diretamente da fonte de bandas como O Terço e Sá, Rodrix e Guarabira, Os Trutas é a caçula de um movimento que parecia esquecido no horizonte da MPB: o rock rural. Formada em Visconde de Mauá, um paraíso ecológico no Sul Fluminense, o grupo é formado por Pedro Gracindo (voz e guitarra), Leandro Souto Maior (guitarra), Fabiano Soares (baixo e vocais) e Keila Gomes (bateria).

O nome vem dos deliciosos peixes de água doce que sobem as corredeiras de Mauá para desovar. Neste caso, a banda deixou seu habitat este mês para apresentar- -se pela primeira vez na Região Metropolitana. Foi um show na Sala Nelson Pereira dos Santos, em Niterói, na quinta-feira (13).

Com sua mistura de rock, blues e folk, Os Trutas vinham fazendo barulho na cena musical local, tornando-se em pouco tempo uma das maiores referências musicais do interior fluminense.

Em tempos de caldeirada sonora proporcionada pela era da informação e revolução digital, Os Trutas sugerem um pé no freio, um olhar mais atento sobre a natureza, a vida mais simples e despojada de certos aspectos da vida moderna - um “pensar sobre existir”, como diz a letra de “Gosto daqui”, música que dá título e abre o primeiro álbum do grupo.

- Os Trutas querem abrir trincheiras de alegria no cenário da música brasileira, querem fazer o Brasil cantar suas canções que falam das coisas simples da vida - explica Souto Maior, um jornalista que largou as redações cariocas para viver na bucólica Mauá.

Nos shows, além do repertório autoral do CD (com destaque para “Homem bom” e “Poeira de estrela”), o grupo gosta de apresentar suas influências, com releituras bluesy para a toada “Tocando em frente” (Renato Teixeira/Almir Sater) ou para a balada nordestina “De volta pro aconchego” (Dominguinhos/Nando Cordel).