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Por Guilherme Cosenza

Charles Möeller & Claudio Botelho, que assinam alguns dos mais importantes espetáculos apresentados no Brasil nas últimas décadas, chegam ao Rio com mais uma montagem, a versão musical de “O Despertar da Primavera”. Sucesso de crítica e público, o espetáculo chegou aos palcos brasileiros em 2009 e arrematou dezenas de prêmios na época. Agora, exatamente uma década após a estreia, os diretores voltam ao musical, que ocupará o palco do Theatro Net Rio a partir de 1 de novembro. O espetáculo é uma adaptação da versão da Broadway de 2006, um eletrizante musical de rock vencedor de oito prêmios Tony, o mais importante do teatro americano. 

Baseado na obra de 1891 do dramaturgo alemão Frank Wedekind, um dos precursores do movimento expressionista, o espetáculo aborda o universo de um grupo de adolescentes que
vivencia situações de descoberta pessoal, sexual e opressão, entre outras questões que rondavam a cabeça dos adolescentes. “O Despertar da Primavera” se passa na Alemanha no final do século XIX e conta a história de Melchior e Wendla.

Ele, um jovem brilhante e rebelde que ousa questionar os dogmas vigentes. Ela, integrante de uma família de classe média alta, educada por uma mãe com rígidos princípios morais e religiosos. O encontro dos dois irá provocar a explosão do desejo, da vontade de conhecer o sexo e o amor.

A história deles se cruza com a de vários outros jovens, como o oprimido e trágico Moritz ou a bela Ilse, que tem a coragem de usufruir de sua liberdade e se aventurar pelo mundo.

Com isso, todos precisam enfrentar o peso da repressão e do conservadorismo, nos mais diversos estágios da sociedade.

Questões como abuso sexual, violência doméstica, gravidez na adolescência, suicídio e homossexualidade, entre outros, vêm à tona na vida desses jovens.

“O Despertar da Primavera” conseguiu autorização, desde 2009, para ser a primeira non-replica no mundo. Assim, usando o mesmo texto e canções, Möeller e Botelho realizaram a primeira direção e concepção artística diferente da original, obtendo um resultado primoroso e grande repercussão.

- Foi um fato inédito montarmos uma produção tão recente da Broadway com a autorização para uma direção autoral. Geralmente, os espetáculos de grande sucesso levam muitos anos para que comecem a ser ‘licenciados’ pelos autores sem a obrigatoriedade da cópia. Tive total liberdade para a tradução dos textos e as versões das canções - revelou Botelho.

Apaixonado pela obra de Wedekind, ele conta que o espetáculo musical mantém o mesmo brilho e força que a montagem original tem:

- Eu já era muito apaixonado pela peça, antes mesmo de virar um musical. Várias vezes, em adaptações para musicais, perde-se a força do texto, mas o caso do “Despertar da Primavera” é uma coisa raríssima, pois o musical consegue ser ainda mais contundente do que o original - diz Botelho.

Em sua primeira versão no Brasil, o espetáculo foi considerado um fenômeno cultural, sucesso de público e crítica, colecionou fãs e conquistou diversos prêmios.

A grande maioria do seu público era de jovens e adolescentes, indo pela primeira vez ao teatro.

Como já é de praxe dos espetáculos musicais da dupla, o elenco é formado de atores e cantores jovens e escolhidos a dedo nas audições exclusivas para a montagem. Entres os novos nomes estão Rafael Telles, Tabatha Almeida, João Felipe Saldanha, Maria Brasil, Bia Lomelino, Carol Pita, Daniele Thomaselli, Davi Pithon, Diego Martins e grande elenco.

Mas “O Despertar da Primavera” também conta com estrelas de peso do teatro, como Bel Kutner e Augusto Zacchi, que ajudam a dar o tom dramático.

Com texto de Steven Sater e direção musical de Marcelo Castro, a peça ficará no Theatro Net Rio, Copacabana, de 1 de novembro a 22 dezembro. Sextas (20h), sábados (19h) e domingo (19h), com classificação etária de 16 anos.