Do bairro do Limoeiro para todo o mundo

Criada por Mauricio de Sousa em 1959, a Turma da Mônica completa 60 anos em 2019 e lida hoje com a realidade de ser a principal representante das histórias em quadrinhos brasileiras no mundo.

Atualmente, as aventuras da Turma da Mônica são distribuídas em mais de 40 países e em 14 idiomas diferentes. A linha de Graphic Novels é um sucesso estrondoso dentre o público jovem e serviu como material base para a adaptação da Turminha para os cinemas em “Turma da Mônica: Laços” (2019). O filme, dirigido por Daniel Rezende, está em suas últimas semanas em cartaz pelo Brasil, mas conseguiu competir e superar adversários de peso, como a animação americana “Pets 2”, que teve um número maior de salas exibindo, mas menos público que a história de Mônica e seus amigos em busca do cachorro Floquinho. O DVD será lançado já em outubro.

Bidu e os 60 anos

O simpático Bidu, que foi o rosto da Mauricio de Sousa Produções por muitos anos, foi o primeiro personagem da Turma da Mônica a ser criado. Suas tirinhas sobre aventuras junto com o dono, Franjinha, circulavam na “Folha da Tarde” e se tornaram um grande sucesso. Seu nome foi escolhido em um concurso feito na redação do jornal, e ele foi inspirado no cãozinho Cuíca, da raça Schnauzer, que Mauricio tinha na infância. Nas primeiras edições, Bidu tinha o pelo cinza e já se mostrava bastante esperto.

Em família

O universo da Turma da Mônica é diretamente inspirado por família e amigos de Mauricio. Pai de dez filhos, Mauricio criou muitos personagens baseados em sua prole. Algumas mantiveram o mesmo nome que suas contrapartes na vida real, casos de Mônica, Magali, Marina, Vanda e Valéria. Mauricio e Mauro Takeda são as inspirações para Do Contra e Nimbus, respectivamente. Mariângela deu origem à Maria Cebolinha, enquanto Mauricio Spada e Marcelo Pereira são as bases do Dr. Spada e do Marcelinho.

Além dos filhos, seus sobrinhos inspiraram o Franjinha e o Titi. Já Mauricio, além de aparecer como ele mesmo em algumas histórias, sempre diz que o dinossaurinho Horácio é seu alter-ego nos quadrinhos.

O Cebolinha

Nascido em 1960, como coadjuvante nas histórias do Franjinha, um menino diferente foi ganhando espaço e conquistando os corações dos fãs de quadrinhos. Inspirado em um amigo de Márcio, irmão de Mauricio, que trocava o “R” pelo “L”, o Cebolinha conseguiu um título próprio e se tornou o personagem principal da Turma naquele tempo. Mas a falta de meninas nas tirinhas de Mauricio era uma reclamação constante. Por isso, em 1963, uma garotinha de vestido vermelho, “golducha, baixinha e dentuça” foi introduzida como coadjuvante nas tiras do Cebolinha.

O sucesso foi imediato e a personagem assumiu o papel principal nome na empresa, derrubando Cebolinha, que passaria a aparecer como coadjuvante nas historinhas da Mônica.

A Turma da Mônica

Em 1970, Mauricio lançou o gibi “Mônica e sua turma”, que reunia várias criações do quadrinista em um único lugar. A revistinha nacional conseguiu bater de frente com as histórias da Disney e, três anos mais tarde, gerou um gibi solo do Cebolinha, que circulava simultaneamente ao da Turma. Entretanto, o grande nome da MSP no final dos anos 70 foi baseado em um ícone do es-porte mundial: Pelé. As aventuras do Pelezinho eram febre entre as crianças e chegavam a esgotar nas bancas. Os anos foram se passando e o sucesso foi crescendo exponencialmente. Aos poucos, os personagens da turminha foram conquistando seus próprios quadrinhos até chegarem ao estrelato. Atualmente, a Mauricio de Sousa Produções conta com a linha principal, que vem desde 1959, e a Turma da Mônica Jovem, que é voltada para o público adolescente e tem um traço mais voltado para o mangá. Nesses 60 anos, a MSP já vendeu mais de um bilhão de gibis ao redor do mundo.

Mônica pelo mundo

O licenciamento no mercado internacional acontece desde os anos 80. Um caso interessante é nos países que falam inglês. Originalmente, os gibis chegaram a eles com o nome de “Monica’s Gang”. A linha foi substituída pelo título “Monica and Friends”, por ser um nome mais simpático.