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Por César Ferreira

O ano de 2019 foi marcado por altos e baixos no âmbito econômico. As taxas de juros sofreram drásticas reduções e a cotação do dólar alcançou um patamar histórico, ao ultrapassar a marca dos R$ 4,19. Apesar da inflação estar sob aparente controle, o recente aumento da carne bovina para o consumidor final alterou hábitos de consumo tradicionais e faz soar o sinal de alerta na equipe econômica. Pode-se dizer haver um quase consenso dos economistas em relação à capacidade de recuperação da economia brasileira em 2020. Será um processo lento. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) projeta um crescimento de 2,1% da atividade econômica para o próximo ano.

Depois de um cenário de incertezas no início, a economia brasileira mostrou algum progresso no decorrer de 2019. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), a atividade industrial fechou o segundo trimestre com uma alta de 0,4%. Com base nisso, o crescimento econômico brasileiro projetado pelo setor industrial ficou em 0,9%. Obviamente, um índice aquém das expectativas, mas que sinaliza boas perspectivas para 2020.

PREVISÔES DO FMI

Antes mesmo da posse da nova equipe econômica, trazida pelo governo Bolsonaro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previa um crescimento na faixa dos 4% para países de economia emergente em 2019. Mas esse otimismo da entidade não chegava ao Brasil, limitando-se basicamente às economias dos países asiáticos.

Os técnicos do FMI previam modestos 0,6% para as economias dos países latino americanos. E, de acordo com a análise do Fundo, a economia do continente estagnou ou regrediu devido essencialmente ao que estava ocorrendo no Brasil.

Esse pessimismo estava ligado às incertezas dos agentes econômicos globais quanto à aprovação de reformas tida como essenciais para tirar o Brasil do cenário de crise, apontando para a retomada de um ciclo de desenvolvimento

O cenário de incertezas refletiu-se no consumo, pois o brasileiro passou a pensar duas vezes antes de comprar um determinado produto. A produção acompanhou esse ritmo de queda e a realização de novos investimentos estancou.

A queda nos níveis de consumo manteve os índices inflacionários sob estabilidade até o fim do primeiro semestre. Segundo dados do IBGE, o índice de inflação registrado em julho deste ano se limitou a 0,19%.

O novo fôlego para economia se deu a partir do envio da proposta da reforma da Previdência ao Congresso no segundo trimestre, quando passou a se verificar um aumento dos níveis de investimento. Na comparação com os primeiros três meses do ano, o crescimento fora de 3,2%. E na comparação com o segundo trimestre de 2018, a alta ultrapassou a margem de 5,2%. Ou de 4,3% no acumulado dos últimos 12 meses até então.

É importante destacar que, de forma ampla, o nível de investimento no Brasil é inferior ao que se verificava em 2013. Naquele ano, houve o chamado registro histórico, já que o índice de aplicações financeiras no país ficou acima dos 26,2%.

Em recente consulta feita pelo Banco Central, as instituições financeiras aumentaram a estimativa de inflação e crescimento da economia para 2019. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA – a inflação oficial do país) subiu de 3,84% para 3,86%. Para 2020, a estimativa de inflação se mantém há sete semanas em 3,60%. A previsão para os anos seguintes também não teve alterações: 3,75% em 2021, e 3,50% em 2022.

ABAIXO DA META

As projeções para 2019 e 2020 estão abaixo do centro da meta de inflação que deve ser perseguida pelo Banco Central. A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 4,25% em 2019, 4% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente definida em 4,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

De acordo com as instituições financeiras, no fim de 2020, a expectativa é que a taxa básica também esteja em 4,5% ao ano. Para 2021, as instituições estimam que a Selic encerre o período em 6,13% ao ano. A estimativa anterior era 6,15% ao ano. Para o final de 2022, a previsão segue em 6,5% o ano.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.