Silêncio da mídia estimula omissão de autoridades na cobrança da Refit

Silêncio da mídia estimula omissão de autoridades na cobrança da Refit

A compra do silêncio da imprensa ajuda a corrupção

Por Cláudio Magnavita*

Muita gente tem procurado alertar o Correio da Manhã sobre os riscos de denunciar o inacreditável caso da Refinaria Manguinhos, hoje Refit, e a operação lucrativa montada a partir da sonegação de impostos. Eles são perigosos... Ricardo Magro joga sujo... Compra as pessoas... Compra a mídia... Destrói reputações... As conexões que ele tem põem em risco quem denuncia... E por aí vão as frases que acompanham a lupa que pusemos neste esquema que tem sido tolerado pelo medo ou pela ganância.

O Correio da Manhã é um jornal que enfrentou o regime militar na década de 1960. Sua diretora-presidente, Niomar Muniz Sodré de Bittencourt, foi presa por dois meses e não se dobrou à pressão dos regimes. Um jornal que não tem coragem não serve nem para embrulhar peixe, ainda mais que a grande circulação é no mundo digital. Já registramos que nossa atenção para a Refit foi despertada em fevereiro de 2020, com o escárnio do Governo do Estado do Rio de Janeiro de aceitar, ou melhor, convocar o seu maior devedor de ICMS para bancar o Carnaval e, por tabela, bancar o super camarote do governador. Tudo feito às claras, sem que o MP-RJ, Tribunal de Contas e a própria imprensa reclamassem.

Na mesma ala do camarote do governador, pago com o lucro da sonegação, estava o camarote do jornal O Globo e da Revista Quem, patrocinado pela Refit e Manguinhos. Tudo isso sem o menor pudor. Afinal, cada centavo investido em mídia é uma partilha do dinheiro sonegado de impostos. Um veículo de comunicação que aceita um anunciante que obtém sua fonte de renda e lucro de esquemas de sonegação de impostos, que hoje formam uma dívida de R$ 6.800.000.000,00 (seis bilhões e oitocentos milhões de reais) acaba agindo como cúmplice desta máquina de fraudar. É dinheiro podre, que, por tabela, garante a proteção das autoridades que facilitam a vida desta operação. Com o silêncio, esses veículos estimulam a impunidade de agentes dos Executivo, Legislativo e até do Judiciário.

Quando começamos a denunciar a Refit, afirmamos em editorial que o Correio da Manhã não aceitaria, por uma questão de compliance, publicidade desse caloteiro de impostos e, principalmente, de um esquema denunciado criminalmente, com laranjas e golpes envolvendo fundo de pensões, parlamentares e agentes públicos. A coragem de um jornal é o seu compromisso com a história e seus leitores. O esquema de Ricardo Andrade Magro e a sua Refit já têm fim anunciado. A empresa está prestes a explodir e o dinheiro recebido e não recolhido nunca será recuperado. Parte desses recursos estará nos cofres dos veículos que aceitam dinheiro sujo, que, com o silencio ou medo, pactuaram com a criminalidade.

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã