O perigo da falta de pudor

O perigo da falta de pudor

Por Claúdio Magnavita*

A indicação de Morgana Richa como candidata a ministra do TST é um sinal claro da falta de pudor que está tomando conta do avanço do Centrão no Palácio do Planalto. É inconcebível que um governo eleito com a bandeira da moralidade e do lavajatismo se coloque a serviço de correntes, que, no poder, transformam as decisões em um grande mercado persa.

Há sincronia da indicação com a sedução de parlamentares para a aprovação da PEC dos Precatórios. A candidata ao TST foi apadrinhada pelo líder do governo, Ricardo Barros, o ex-ministro da Saúde de Temer, que está no olho das confusões na compras na pandemia.

A indicada ao TSE é casada com o irmão do ex-governador Beto Richa, envolvido e preso por corrupção no Paraná. Não se trata de criminalizar laços de família, porém, o marido da desembargadora foi secretário de Estado do irmão e está sob investigação acusado de ser o operador de um escândalo que desviou R$ 800.000.000,00 (oitocentos milhões) do povo do Paraná.

É uma candidata a ministra de um Tribunal Superior, que conviveu no núcleo de um esquema de corrupção, que ela nunca repudiou publicamente. Não se pode fechar os olhos e fingir que a escolha foi apenas técnica. É o Centrão agindo livremente sem o menor pudor.

*Claúdio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã