Antropofagia aeroportuária

Aeroporto Santos Dumont sustenta o setor aéreo no Rio, enquanto Galeão perde conexões 

Por: Claudio Magnavita*

Estamos assistindo calados ao desmonte da peça mais importante para a retomada do turismo internacional do Rio, o aeroporto do Galeão.

O aeroporto está perdendo competitividade pela omissão das autoridades do setor e da Agência Nacional de Aviação, por não aplicar no Rio as mesmas normas defensivas que aplica em Belo Horizonte, para regular a concorrência de Confins e Pampulha.

No Rio, todos os voos nobres estão migrando para o Santos Dumont. Já se pode voar do aeroporto central para várias capitais, inclusive o Nordeste.

O Galeão perde as conexões e os voos internacionais não poderão distribuir o fluxo de passageiros para destinos além do Rio.

Sem estas ferramentas, as companhias internacionais irão se concentrar em São Paulo. Vivemos um momento onde sobram aeroportos e faltam voos.

O Galeão é um ativo econômico do Estado. A contribuição do aeroporto para o PIB do RJ está na faixa de 2,4% do total (estudo da Oxford Econômics).

O Galeão impacta de forma direta e indireta 170.000 empregos no Estado; só no Galeão temos mais de 15.000 pessoas com crachá e o aeroporto gera de forma direta quase 22.000 empregos.

Para 2020, a queda de movimento será de 60% no número de passageiros, de 13,9 milhões em 2019 para 5,5 milhões. As previsões da IATA e ICAO, entidades internacionais do setor, indicam uma recuperação ao nível de 2019 só em 2023.

Hoje estamos assistindo uma antropofagia aeroportuária, com o Santos Dumont, do próprio governo, dragando os poucos voos existentes. A falta de bom senso é inaceitável.

*Claudio Magnavita é Diretor de Redação do Correio da Manhã