Era para se considerar impedido

Por Cláudio Magnavita

O governador Wilson Witzel vestiu a toga novamente e está sentenciando através da imprensa a sua inocência. Na Rede CNT e na Rádio Tupi rebateu as acusações de forma veemente e chega a acusar o Procurador Geral da República, Augusto Aras, de atuar politicamente para prejudicá-lo.

Cada dia que passa o governador afunda-se em novas acusações e de relações que mostram uma teia de aranha com conexões históricas.

Em paralelo com a Comissão do Impeachment, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro tem promovido, na sua Comissão de Saúde e da covid-19, a produção das mais robustas provas sobre os escândalos da saúde do Estado.

Na sessão desta segunda-feira, ficou demonstrado que as relações do governador Wilson Witzel são bem mais antigas do que a casualidade de uma simples decisão administrativa para reabilitar uma organização social.

Ao usar o desarquivar a toga e, como disse na televisão para “decidir com a sua experiência de juiz”, ele deveria usar o princípio básico do impedimento. Recurso que garante a imparcialidade da decisão e a transparência da sentença. O fato de um diretor da mesma empresa julgada ter feito um aporte de R$ 75.000,00 (setenta e cinco mil reais), dois dias antes do segundo turno na sua campanha, já seria motivo para se julgar impedido. Porém, ele foi adiante e julgou. Reabilitou a empresa do seu terceiro maior doador e agora corre o risco de ser condenado à perda de mandato, exatamente pela mania de tentar continuar juiz tendo sido eleito governador.