O repórter conclui dizendo que a Prefeitura estava errada. A vontade de crucificar o prefeito leva a imprensa a cometer um ato falho. Faz parecer que um prejuízo de R$ 481 milhões é aceitável. Estamos falando de US$ 110 milhões drenados de creches, hospitais e manutenção de ruas. Entre os cálculos da Prefeitura e do TCM há um elo em comum: o prejuízo lesivo à cidade. Isso é incontroverso. Resta calcular de quanto está se falando. O pior é que a concessionária Lamsa, por exemplo, pratica o maior pedágio urbano do mundo e ninguém reclama. O prefeito Marcelo Crivella tem estado sozinho na luta contra esse abuso. Todos nós que passamos na Linha Amarela somos assaltados por um contrato prorrogado sem pensar no usuário e que ultrapassa em muito o reembolso do consórcio da obra.

A mesma imprensa que é complacente com o prejuízo atestado pelo TCM acaba também transformando o episódio do último domingo em combustível para uma fogueira midiática que perde o bom senso. A imagem da escavadeira quebrando os vidros é forte. Foi usada e abusada até em charge em que ela é usada para derrubar o Cristo. Uma heresia. Tentam, no subliminar, associá-la a um histérico pastor que chutou uma imagem. Este, aliás, merece o fogo dos infernos de forma eterna. Ninguém se coloca ao lado do cidadão. Ninguém, por exemplo, percebe que a Lamsa vem desafiando o poder concedente por meses e meses. Nunca apresentou as suas contas, nunca respondeu objetivamente aos pedidos de informação da Prefeitura e, mesmo tendo uma decisão oficial publicada no Diário Oficial, resolveu continuar cobrando R$ 15,00 para quem vai e volta no seu trajeto.

Assim, ignorou solenemente o Diário Oficial do Município. Com a publicação no DO, o que os gestores da concessionária deveriam fazer era entrar na Justiça e, dessa maneira, tentar legalmente garantir a operação, e não continuar cobrando ignorando o ato da Prefeitura. O que ocorreu naquele domingo podia ser evitado. Em vez disso, acabou produzindo imagens que passaram a linha do aceitável. Porém, foi restabelecido – com exageros – a autoridade municipal, que estava sendo solenemente ignorada pela milionária concessionária. Os atos cometidos foram levados a uma jovem juíza de vara de família que concedeu uma liminar restabelecendo à Lamsa o direito de cobrar o pedágio. Essa decisão foi tomada a partir de uma petição que traçou um quadro de arbitrariedade e que esqueceu de citar que a empresa estava desobedecendo a uma resolução publicada no Diário Oficial três dias antes.

A Prefeitura tem poder de Polícia para restabelecer a ordem urbana e age assim com invasões e ambulantes. Na ótica da autoridade municipal estava sendo dado um BASTA a um contrato lesivo e a um assalto permanentemente ao bolso do cidadão. Outra questão que muita gente esquece de noticiar é que, de acordo com um estudo da Controladoria Geral do Município, a tarifa hoje praticada pela concessionária na Linha Amarela (R$ 15, ida e volta) poderia cair para algo em torno de R$ 2 - e sendo cobrada em apenas um sentido, como acontece na Ponte Rio-Niterói. Esses e outros conflitos - que fazem a população arcar com os prejuízos - podem ser resolvidos caso os vereadores aprovem um projeto do prefeito que autorizaria a encampação da Linha Amarela. Trata-se, afinal, de interesse público, o que justifica totalmente o requerimento de Crivella à Câmara dos Vereadores. Se o projeto de lei seguir adiante e tornar-se lei, o valor do pedágio será fixado pela própria Prefeitura. Que, naturalmente, vai seguir os estudos da sua Controladoria Geral.

O projeto também autoriza a Prefeitura a contratar empresas terceirizadas que para a conservação e operação da via. Por essas e por outras, nada justifica, no atual cenário econômico, que a concessionária de um serviço público de suma importância se mantenha ao arrepio da lei. A Lamsa, desse jeito, se comporta de maneira inexplicável. A não ser que este seja um comportamento típico de uma sociedade onde entidades privadas ou públicas fazem o que bem entendem, sem qualquer tipo de satisfação ao público. A propósito, ignorar o abuso da concessionária ilustra também que a imprensa carioca tem caprichado em torcer contra a própria cidade. Esta, definitivamente, não é uma jogada inteligente.