A grave omissão da OAB Nacional

Entidade é usada em jogo político partidário enquanto advogados são vítimas de bloqueios com busca e apreensão

Por Cláudio Magnavita*

A eficiência do presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, em rebater e usar a mídia para se contrapor ao presidente Jair Bolsonaro nunca falha. Minutos após o pronunciamento de Bolsonaro na ONU, a nota oficial da OAB já estava sendo lida nos telejornais. Nesse caso, foi necessário certo contorcionismo para colocar a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB na agenda da política internacional.

O que causa perplexidade é que a mesma veemência de Santa Cruz não se manifeste na defesa da classe. Apesar da decisão de um juiz federal ter promovido o bloqueio bilionário nos maiores escritórios de advocacia do país, travando completamente suas operações e criminalizando o ato de advogar, a OAB Nacional está tímida. O processo que existe no Supremo é fruto da ação de cinco OABs regionais.

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Vejam o caso da Hargreaves Advogados e Associados: foram R$ 30 milhões no CNPJ e R$ 30 milhões no CPF do sócio Fernando Lopes Hargreaves. Do escritório Zveiter foram bloqueados R$ 10 milhões, além de outros R$ 10 milhões no CPF de Flavio Diz Zveiter. A respeitada advogada Ana Tereza Basílio teve bloqueados R$ 43 milhões como pessoa física e igual valor como pessoa jurídica. Um total de R$ 96 milhões. Cristiano Zanin Martins, R$ 236 milhões na pessoa física e R$ 236 milhões na jurídica. Um verdadeiro tsunami. Cadê, nesta hora, o presidente da OAB nacional?

Os mandados de busca e apreensão em quase uma centena de endereços foram motivados por uma equação que envolve a delação de um ex-presidente da Federação de Comércio do Rio de Janeiro, pagamentos de horários e um juiz federal que acaba de ser condenado administrativamente pelo TRF 2.

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Os advogados são a grande trincheira da presunção de inocência. Não apenas a sociedade civil esperava uma reação enérgica da OAB, como os próprios advogados. Uma pena que Santa Cruz se dedique apenas à política partidária, como filiado do PT, e não aplique a mesma rapidez em defesa da classe.

*Claudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã