Bolsonaro e os traidores do Rio

Por Claudio Magnavita*

De todos os estados, o Rio é o mais sensível à influência do Presidente Jair Bolsonaro. Aqui é a sua base eleitoral pessoal. Os seus mandatos no legislativo foram conquistados aqui. Há muito tempo o Rio vem votando na sua proposta política. Só esses ingredientes servem para dar peso diferenciado ao uso do nome do presidente no Rio.

A parte do núcleo duro do presidente também tem a sua base no estado: o senador Flavio e o vereador Carlos Bolsonaro. Tudo que ocorre no Rio utilizando o nome da família é acompanhado de perto e não fica longe dos olhares atentos.

A turma do Rio, eleita em 2018, surfando na onda bolsonarista, teve a oportunidade de passar por diversos testes de fidelidade. Alguns foram irreversivelmente reprovados.
Dois testes chamam a atenção: a cisão com o governador Witzel e com Luciano Bivar, presidente nacional no PSL.

O grupo de parlamentares que optou por ficar no lado do governador, agora afastado, desejou manter os cargos que tinham no governo e até sonhar em ser o candidato a prefeito da capital. Entre eles, o mais emblemático é o deputado estadual, Rodrigo Amorim. Os laços com Carlos Bolsonaro e com Flavio foram rompidos.

Na disputa a prefeito do Rio, um outro caso de usurpação do nome de Bolsonaro é o deputado federal, Luiz Lima. O verdadeiro núcleo do presidente no Rio fechou apoio ao Prefeito Marcelo Crivella.

Lima tem direito a ser candidato do PSL, só não pode insinuar e misturar a sua imagem a do Presidente. Ao fazer isso, como ocorreu no debate da Band, está promovendo um estelionato político. Ele foi eleito, sim, surfando no bolsonarismo, mas teria de dizer que recuou a entrar na Aliança e que se candidatou para prejudicar a candidatura de Marcelo Crivella. Deveria também explicar à base de Bolsonaro por que colocou na chapa um ex-comentarista da Rede Globo?

Agora, na proximidade das eleições, este oportunismo eleitoral deve ser denunciado.

No Rio, o inferno astral de Witzel deveria servir de exemplo para aqueles que se afastaram das forças que os ajudaram a conquistar os mandatos. Ao tentar seguir voo solo, descobrem que não possuem nem um lastro na urnas. O deputado Luiz Lima foi cria de Leonardo Picciani, ex-ministro dos Esportes de Michel Temer, que o nomeou secretário nacional e foi seu braço direito. Foi eleito por causa do Bolsonaro e agora trai o presidente concorrendo à Prefeitura por mero oportunismo.

*Claudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã