Choque de realidade sem firulas

Por Claudio Magnavita*

Vivemos ainda em um Brasil que herdou o hábito de governantes fracos e de rabo preso com os seus malfeitos. Eles não tinham coragem de desafiar parte da mídia e se colocavam a serviço das manchetes intimidadoras. Essa parte da imprensa não cobria a notícia, ela fazia a notícia.

O discurso desabafo do presidente Jair Bolsonaro nesta terça, 10 de novembro, no Palácio do Planalto, foi mais um capítulo de um governo que não se submeteu aos caprichos da imprensa.

Ele chegou, na sua fala, a antecipar as manchetes que seriam publicadas logo mais, quando declarou: “Tem que deixar de ser um país de maricas”. O presidente afirmou que “tudo é pandemia” e alertou para a mania de jogar no coronavírus a responsabilidade de tudo.

Dito e feito: Bolsonaro afirmou: “É um prato cheio para imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está ali atrás”, apontando para o reservado dedicado aos jornalistas credenciados no Planalto.

O presidente pode desagradar a alguns editores, os veículos que lhe fazem oposição cerrada, mas traduz exatamente o que pensa a classe média e o trabalhador obrigados a enfrentar “a pandemia de peito aberto e lutar para sobreviver”, como ele falou.

Bolsonaro lembrou os 40 milhões de invisíveis, que estavam fora de qualquer radar social e estariam colapsados sem a ajuda do Governo. Esses “catadores de latinhas ou informais têm que atuar de peito aberto e lutar para sobreviver”, lembrou Bolsonaro no seu choque de realidade.

*Claudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã