Mórbida criminalização da política

Por Cláudio Magnavita*

Uma tragédia envolvendo a morte de uma criança está sendo tratada como um grande caso por parte da mídia.

Na caneta de alguns jornalistas paladinos e quase justiceiros, a vontade de incluir um componente explosivo: um político. Não há pudor em incentivar uma condenação previa, com a inclusão em manchetes do nome do vereador.

O elemento da duvida é imposto exatamente por ele ser titular de um mandato eletivo. É a criminalização da política e dos políticos, Isso sim, um crime, do qual a sociedade civil é culpada por afastar cada vez mais os homens de bem da atividade que é o pilar de uma sociedade democrática.

Uma tragédia ocorreu, uma criança de 4 anos faleceu, houve traumas físicos que estão sendo apurados, investigados, existem perícias técnicas e todos envolvidos estão depondo e colaborando.
O político que está no olho do furacão é o Dr. Jairinho Souza Santos, há 18 anos parlamentar. Tem um comportamento dócil, é querido pelos colegas, já ocupou a liderança do Governo e tem no seu currículo uma atenuante: é médico. Fez o juramento de Hipócrates.

No episódio, existe outro atenuante. O garoto estava com a mãe. O amor materno a levaria ser uma leoa na defesa do filho. Quem é mãe sabe da força sobrenatural que só as mulheres possuem na defesa de suas crias.

É preciso ter calma e esperar a solução de um caso confuso. O dedo inquisidor deve ser baixado em respeito à dor, à própria vitima e aguardar as conclusões. O sensacionalismo neste caso é mórbido.

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã