R$ 200 milhões para premiar corruptores

R$ 200 milhões para premiar corruptores

Por Cláudio Magnavita*

 O atoleiro de corrupção que tomou conta do estado e da cidade do Rio, utilizando os argumentos de Copa e Olimpíada, contamina até hoje o dia a dia do município olímpico.

A decisão da Câmara Municipal de aprovar em primeira votação, nesta quinta, 15, a injeção de R$ 200 milhões nas empresas do consórcio BRT é no mínimo corajosa, no momento que a imprensa começa a mostrar os detalhes das revelações realizadas (e homologadas) na justiça envolvendo associados da Fetranspor.

Além dos anexos já revelados da delação de Luiz Carlos Lavouras, a documentação relacionada a Lélis Teixeira e à Rio Ônibus, essa operação bilionária, aprovada pela Prefeitura na Câmara, entra em uma zona de conflito que chama a atenção do Ministério Público.

O sistema BRT é fruto desse sistema corruptor, que optou pela formação de um consórcio beneficiando as medusas portuguesas da Fetranspor. Os outros modais ficaram desprezados e foram privilegiados aqueles que irrigavam há anos a corrupção política do Rio.

O sistema entrou em colapso pela mentalidade lusitana de tirar tudo, até o último pau-brasil, e nada devolver ao consórcio.

A Prefeitura interveio. Os BRTs viraram pesadelo do prefeito Eduardo Paes e se transformaram em Câmaras Coletivas de Contaminação – CCC.

Como não houve encampação, mas intervenção, as empresas continuam sendo as do mesmo grupo de empresários lusitanos envolvidos nos escândalos. Na prática, a Prefeitura estará dando uma injeção de capital no negócio de terceiros. Renovará frota, corrigirá equívocos e, no fim, entregará a chave e carros brilhantes aos empresários.

É inacreditável que neste terreno pantanoso ainda exista espaço para a mistura de público e privado. No momento que esses empresários compraram as decisões do Judiciário, construíram uma máquina, que, em pleno processo de denúncia, ainda vai receber R$ 200 milhões de uma Prefeitura falida. Enquanto isso, a população está usando transporte público estragado. O modelo foi pensado errado e afunda no terreno pantanoso da corrupção. E só agora começamos a entender a sua dimensão real.

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã