Um partido com dono

Um partido com dono

Por Cláudio Magnavita*

O movimento do PSD em abraçar o prefeito Eduardo Paes e o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é reflexo da antecipação da agenda de 2022.

O partido foi construído e tem o rígido controle do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. É um partido com dono.

Uma legenda parruda, que soube transitar por diversas correntes e esteve próximo ao Governo Lula, com quem ele agora volta a flertar.

A última incursão foi no Governo João Dória, no qual o próprio Kassab foi secretário e só saiu ao enfrentar problemas legais que constrangeram o governador paulista. Era uma saída rápida com retorno garantido, o que nunca ocorreu.

Kassab e Paes têm muitas coisas em comum. São amigos de longa data e foram prefeitos juntos. A flexibilidade de Gilberto Kassab agrada a Paes em seus múltiplos projetos para 2022.

O PSD surgiu como opção para o governador Cláudio Castro pelos laços de amizade que o unem ao deputado Hugo Leal, presidente da sigla no estado. Era um caminho natural de uma decisão que só deveria ocorrer após a sua posse como governador efetivo.  

Castro fecha laços firmes com o presidente Jair Bolsonaro. O novo cenário evita um constrangimento anunciado pelo lado volátil do PSD. O jogo fica mais claro. Principalmente pela capacidade política de articulação de Eduardo Paes, um player maduro, neste jogo cheio de principiantes.     

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã