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Devido à independência editorial em sua longa trajetória, o CORREIO DA MANHÃ teve que lidar, inúmeras vezes, com perseguições políticas e censura deliberada por parte de governos contrariados por suas reportagens e opiniões livres. Eram tempos sombrios que, se a sociedade não prestar atenção, correm o risco de estar voltando. Prova disso é a denúncia apresentada esta semana pelo Ministério Público Federal contra o jornalista americano Glenn Greewald, criador do site Intercept Brasil e que vive há 15 anos no país, onde constituiu família.
Numa democracia consolidada como a de que o Brasil ainda desfruta, nada justifica que o MPF invista contra jornalistas no cumprimento de seu dever - que foi o caso, como se pode ver em extensa matéria na página 5 desta edição. A repercussão interna veio à altura, com entidades de classe e outros veículos jornalísticos manifestando-se contrários ao MPF. A imprensa internacional também está dando ampla cobertura ao caso - o que é péssimo para a imagem do país no exterior.
Curioso é que a denúncia contra Glenn Greenwald surge na mesma semana em que o governo federal demite, com toda a razão, o secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, que se revelou inapto à convivência pacífica numa sociedade como a nossa - que prontamente repudiou suas palavras e posturas de inspiração francamente nazistas durante o lançamento de um edital da sua pasta. Ponto para a sociedade, ponto para o governo federal.
Agora, para seguir esse bom exemplo, a denúncia do procurador federal Wellington Oliveira deveria passar pelo mesmo crivo e, naturalmente, ser cancelada. Não é uma questão de partidarismo, mas sim de coerência política.