A coragem e honestidade de Eduardo Leite embolam a sucessão presidencial

A coragem e honestidade de Eduardo Leite embolam a sucessão presidencial 

Eduardo Leite coloca a honestidade na corrida presidencial de 2022 

Por Cláudio Magnavita*

Se existia a esperança de um fato novo, ele ocorreu nesta quarta, 1º de julho. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, assumiu, em entrevista ao jornalista Pedro Bial, na Globo, a sua opção sexual. Foi curto e objetivo: “Sou um governador gay e não um gay governador.”

Foi o necessário para incendiar as redes e ocupar o noticiário. No Triângulo das Bermudas – Rio, São Paulo e Minas –, a maior concentração do eleitorado, a questão sexual do candidato nunca foi um tema.

No Rio, o ex-deputado Álvaro Valle liderava as pesquisas e seria eleito prefeito se não saísse mais de casa. Foi arranjar um casamento fajuto e implodiu. O eleitor carioca se sentiu traído.

Nas primárias, nos Estados Unidos, Pete Buttigieg ganhou algumas prévias e virou um nome nacional ao fazer campanha com o seu companheiro ao lado, sem esconder a sua opção. O fato contribuiu até para aumentar o fluxo de doações para a sua candidatura em plena era do conservadorismo Trump.

O que fez Eduardo Leite foi sobretudo um ato de coragem. Ele se livrou de ameaças veladas e de uma vida paralela e teve uma demonstração de absoluta honestidade. Transformou um fato, que poderia ser negativo em um fato positivo. Tirou toneladas de receios do seu peito.

Em um país dividido e com uma tropa conservadora no poder, Eduardo Leite foi preciso na cronologia política. Deu um xeque-mate no oponente João Dória, virou personalidade nacional de forma instantânea e marcha para conquistar o Triângulo das Bermudas.

Em pesquisas recentes, Lula aparece com 38%, perto do seu teto, e Bolsonaro com 27%. Se continuar desidratando pode ficar fora do segundo turno. Leite pode até herdar uns 4% dos votos do Lula só para que isso ocorra. O Nordeste já é dominado pelo PT, os evangélicos já estão com Bolsonaro, a terceira via se viabiliza com a queda do Bolsonaro e o fim do crescimento de Lula. A escolha da Globo para a revelação já demonstra, como ocorreu no passado com Fernando Collor, que as organizações da família Marinho já ungiram seu candidato .

Eduardo Leite embarca na campanha realizando um fato histórico, alicerçado em uma verdade pessoal que faz falta no mundo político. Mais transparente seria impossível. Jovem, articulado e governador de um estado importante, ele é um fato novo e honesto. Os conservadores ficarão na sua bolha com as piadas previsíveis. A esquerda está aturdida e pode perder militância. Hoje, um ato de honestidade pessoal complicou o jogo sucessório de 2022.

 

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã