A construção do cenário pró-impeachment

A construção do cenário pró-impeachment

Por Cláudio Magnavita*

A pesquisa da Datafolha sobre a imagem do Presidente Jair Bolsonaro e as perguntas formuladas foram uma das peças mais visíveis de um movimento pró-impeachment que começa a tomar corpo. É um jogo psicológico no qual tenta se provar a perda de popularidade presidencial.

O afastamento de um presidente só ocorre quando ele não possui mais apoio popular. Mais grave do que uma pesquisa nitidamente manipulada, com questionamentos inéditos e atrelados ao jeito de ser de Bolsonaro, está a sua exibição na Rede Globo e no Canal GloboNews. Foram 48 horas de massacre: todos os telejornais na TV aberta e em todo o rotativo do canal de noticias. Um exagero, sem nenhum amparo do bom jornalismo.

O conteúdo, elaborado de forma remota com um pouco mais de 2 mil pessoas, para um país de 210 milhões, repetido continuamente como um grande verdade. Uma indução a desconstrução de uma imagem, sem que haja qualquer filtro ou medida que coíba este ataque planejado.

A CPI da Pandemia também ganha uma cobertura seletiva. Tudo que é contra o Governo ganha manchete. Os senadores Omar Aziz e Renan Calheiros viraram os queridinhos desta mídia de oposição e são santificados. O comportamento é similar ao que fizeram nos embates Sérgio Moro e Lula. Demonizaram o ex-presidente ao extremo. Esta manipulação da verdade é perigosa para a democracia. Fizeram com Lula, Dilma e o PT em um passado recente, e deu certo. Agora as mesmas ferramentas estão sendo novamente usadas com outro alvo.

O próximo passo será adular o Vice e tentar separá-lo do Presidente, porém Mourão é bem diferente de Temer: é militar. A reação das Forças Armadas feitas a um senador boca-suja e com folha corrida trouxe um equilíbrio momentâneo. Uma coisa é certa: existe, sim, a construção de um cenário pró-impeachment em curso.

*Cláudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã