Por Pedro Sobreiro

A dupla conquista do Flamengo nos dias 23 e 24 de novembro escancarou algo que já deveria ser consenso no cenário moderno do futebol brasileiro: se os clubes quiserem avançar rumo a uma nova era de vitórias e títulos, precisarão de gestões sérias e de planejamento bem feito.

O ano de 2019 mostrou que a quantidade de dinheiro à disposição ajuda, mas não é o principal fator na conquista de títulos. Os dois campeões nacionais mostram isso.

Com orçamento mais modesto, o Athletico-PR apostou no planejamento do departamento de futebol. O primeiro passo para o sucesso no ano foi a manutenção do técnico Tiago Nunes. Campeão da Copa Sul- -Americana com o Rubro-Negro da Baixada em 2018, o treinador tinha controle sobre o elenco e investia no futebol ofensivo e organizado. Após acertar com o técnico para 2019, a diretoria fez contratações pontuais para poder brigar nas cabeças de três competições: o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Libertadores. O time fez boa campanha na Liberta, está no G-6 do Brasileiro e conquistou a Copa do Brasil de maneira espetacular. A vitória encheu os cofres paranaenses com quase R$ 65 milhões, aumentando o poder de investimento para a temporada 2020.

Quem partiu em direção oposta foi o Cruzeiro. O clube mineiro fez o planejamento de 2019 já contando com a vitória na Copa do Brasil. Como eles foram eliminados, os mineiros estão em situação financeira crítica, brigando contra o rebaixamento e correndo riscos dentro e fora dos campos.

A outra grande oposição do Brasil é entre Palmeiras e Flamengo. Clube mais rico do Brasil, o Alviverde Paulista começou o ano contratando de maneira desenfreada. Três dos dez jogadores de maior salário do país estão no elenco palmeirense e, pasme, dois nem são titulares. O objetivo deles era vencer o Brasileiro e, principalmente, a Libertadores. O investimento sem planejamento não deu resultado e, hoje, os paulistas têm cerca de três times de futebol caríssimos que mal são utilizados.

Já o Flamengo, que fez investimentos de peso, como a maior contratação do Brasil - o uruguaio De Arrascaeta - e jogadores com mercado na Europa para preencher posições conhecidamente carentes do Rubro-Negro da Gávea. Fora isso, o clube resolveu apostar na mentalidade europeia do técnico Jorge Jesus para trazer algo novo. Resultado? O time conquistou a Libertadores e o Brasileiro.

Os tempos estão mudando e quem não se adaptar, vai ficar para trás. Está claro que o futebol não admite mais o amadorismo e o improviso dos dirigentes. A lição que fica de 2019 é: invistam no planejamento. O dinheiro ajuda, mas é o planejamento que muda o patamar de um clube.