Caboclo diz que Del Nero intermediou silêncio de funcionária

Alvo de denúncia de assédio moral e sexual feito por uma funcionária da CBF, o presidente afastado da entidade, Rogério Caboclo, acusa o ex-mandatário e antigo mentor Marco Polo Del Nero de ser o responsável por pedir R$ 12,4 milhões para que ela não apresentasse uma reclamação formal.

A acusação da assessora especial da presidência provocou o afastamento de Caboclo do cargo por 30 dias. O prazo expira na próxima terça (6). Uma reunião extraordinária nesta sexta (2), contudo, pode esticar a suspensão do presidente.

Em áudios gravados pela funcionária, divulgados pelo Fantástico, programa da TV Globo, é possível ouvir Rogério Caboclo questionando se ela se masturba, além de sugerir que ela tinha um romance com outro empregado da instituição.

Caboclo afirma que foi Del Nero quem trouxe a proposta de R$ 12 milhões para evitar que a funcionária protocolasse denúncia no Conselho de Ética. Ele diz ter mais provas que serão adicionadas em sua defesa.

O dirigente também diz que a funcionária, que trabalha na CBF desde 2012, teve contato com Del Nero e acertou com ele a denúncia.

Presidente da entidade em 2015, Del Nero foi banido do futebol pela Fifa. A Câmara de Arbitragem do Comitê de Ética considerou o cartola culpado por suborno e corrupção, oferecer e aceitar presentes e outros benefícios e conflito de interesse.

Antes de ser banido, Del Nero apoiava formalmente a candidatura de Caboclo. Diretor executivo de gestão da CBF na ocasião, o atual presidente afastado era desconhecido do público, não havia se apresentado publicamente para comandar a entidade e também sofria com a rejeição dos dirigentes de federações.

Para homologar uma chapa na eleição, o candidato precisa ter o apoio de oito federações e cinco clubes. Caboclo conseguiu contabilizar o apoio de 25 das 27 federações e inviabilizou a oposição.

Banido, Del Nero está impossibilitado até de frequentar o prédio da CBF, no Rio de Janeiro. Porém, ele costuma fazer eventos em sua casa, com boa parte da atual diretoria da CBF.

Caboclo costumava a frequentar o local, mas rompeu com o seu padrinho político e tentava, desde então, autonomia na presidência da CBF.