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Por Guilherme Cosenza e Affonso Nunes

Um dos elos fracos do trânsito da cidade, os ciclistas de competição, que madrugam para treinar em ruas vazias, ganharam mais uma opção. No início do mês, a Prefeitura inaugurou a o Percurso Marcos Hama, a terceira Área de Proteção ao Ciclismo de Competição (APCC) localizada no município. Situado na Zona Portuária, o trajeto tem 11 km de extensão e inclui a Avenida Alfred Agache, o Túnel Prefeito Marcello Alencar e a Avenida Rodrigues Alves. Sua criação estava sendo negociada entre a Prefeitura e entidades ligadas aos ciclistas desde 2017.

Agora, a rede de segurança para esses atletas soma 26 km de extensão. Assim como nos outros trechos destinados aos atletas, os treinamentos só podem ser feitos com o local interditado aos domingos e feriados, das 6h às 8h. Marcos Hama é um ciclista que ficou tetraplégico após ser violentamente atropelado enquanto treinava para o Iron Man na estrada Rio-Magé, em 2011. Ele teve um choque violento contra um ônibus que parou bruscamente para pegar um passageiro. O atleta não conseguiu frear e bateu com força a cabeça na traseira do veículo, causando lesões graves na coluna vertebral.

- A regulamentação das APCC é muito importante para a prática de treinamento dos ciclistas amadores e de competição. A cidade carece de mais áreas de proteção aos esportistas. Estamos mapeando novos locais para propor ao poder público – adianta Rodrigo Rocha, presidente da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecierj), acrescentando que o fechamento desses locais obedece a um rigoroso processo de avaliação das condições de segurança e apoio aos ciclistas.

Os dados de acidentes de trânsito envolvendo ciclistas, competidores ou não, são imprecisos, uma vez que os registros não discriminam essa informação.

A primeira APCC a ser regulamentada pela Prefeitura foi a do Aterro do Flamengo, em novembro de 2013, com 7 km de extensão. Recebeu o nome de Circuito Pedro Nikolay, em homenagem ao ciclista morto ao ser atropelado no local sete meses antes. No Recreio, fica o Circuito Guilherme Paiva, de 8 km, na Praia da Reserva. Guilherme também é outra vítima do trânsito. Morreu atropelado enquanto treinava cedo na Barra da Tijuca.

- O trânsito hoje está cada vez mais violento e a maioria dos motoristas não respeita os ciclistas, que, muitas das vezes, são obrigados a disputar espaço com os carros. Precisamos investir na mobilidade urbana e fazer com que as bicicletas possam circular com mais segurança e se consolidar como um meio de transporte mais recorrente da população – defende Miguel Lasavia, presidente da Comissão de Segurança no Ciclismo do município.