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Por Gustavo Barreto

A reconstrução do Partido Comunista Chinês não começou com Xi Jinping, atual presidente da China. Seu antecessor, Deng Xiaoping, herdou uma nação fraturada pelos princípios da revolução contínua propagada por Mao Zedong: a negação de filosofias tradicionais herdadas do período imperial e o medo de um ataque soviético iminente.

 Então vieram as reformas econômicas conhecidas como a “segunda revolução”, ou economia de mercado socialista. Com isso o crescimento chinês foi inevitável. Segundo o site “The Balance”, foram 30 anos de crescimento contínuo.

Ao assumir o comando do país em 2013, Xi Jinping observou também a expansão acelerada e implacável do PIB chinês. Em 2017 o crescimento foi contabilizado em $23.12 trilhões. 2018 mostrou certa desaceleração e ainda assim manteve a China crescendo a todo vapor; o PIB ficou em US$ 13,608 trilhões, segundo estatísticas do Banco Mundial.

Formada em Relações Internacionais com mestrado em estudos marítimos pela Escola de Guerra Naval, Rita Feodrippe explica o papel que Xi Jinping desempenha atualmente.

- O governo Xi Jinping é, antes de tudo, um governo de fortalecimento do Partido Comunista Chinês, que lida com grandes questões internas e possui ainda maiores planos externos.

Fortalecimento esse que tem sido posto à prova pelos episódios de protestos em Hong Kong. Insatisfações que começaram quando a autônoma localidade foi ameaçada pelo projeto de lei que enviava condenados pela justiça para cumprir pena na China continental.

Mesmo demonstrando diplomacia em lidar com as reivindicações, que iam desde o pedido de renúncia da líder do governo local apoiada por Pequim (Carrie Lam) até uma independência total da ilha, o histórico do partido comunista em lidar com manifestações ainda é extremamente negativo.

ENCRUZILHADA

A professora Rita Feodrippe trata essa situação do governo como algo mais tenso do que se imagina.

- Acho um pouco temeroso dizer que o governo chinês “permite” os protestos. Na verdade, ele se encontra numa encruzilhada, pois a resposta efetiva aos protestos causaria uma segunda Tiananmen. O governo Xi aposta no aprofundamento da reforma e da abertura iniciadas por Deng, priorizando o multilateralismo comercial. Porém, uma coisa é certa: as tecnologias de vigilância disponíveis hoje permitem um controle muito maior por parte das autoridades. 

Em 2018, o partido aprovou uma resolução que torna ilimitado o mandato de Xi Jinping como presidente. A decisão anula regras básicas do poder na China desde Deng Xiaoping e torna Xi o mais poderoso líder desde Mao Zedong.

O contexto, porém, é muito diferente. Mao surgiu como figura de comando indiscutível em 1949, quando o país era extremamente atrasado em comparação com outras nações. Já Xi Jinping comandará a segunda maior economia mundial.