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Por Gustavo Barreto

Até o próximo dia 27 de setembro, a Assembleia-Geral da ONU estará reunindo em Nova York os representantes das 193 nações membros do grupo para debater os principais assuntos no âmbito internacional. A delegação brasileira, comandada pelo presidente Jair Bolsonaro, terá que lidar principalmente com críticas direcionadas à sua política ambiental, cujo foco se intensificou nas últimas semanas com as queimadas na Amazônia.

Segundo informações da WWF (Fundo Mundial para a Natureza), os recentes incêndios atingiram áreas que abrangem a Amazônia brasileira, boliviana, o Bosque Chiquitano (Bolívia), Chaco, Pantanal e Cerrado. Em relatório do INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), publicado em julho, já se projetava um aumento significativo no número de incêndios para o mês de agosto. Em matéria publicada, o portal do UOL anunciou que, até o dia 24 de agosto, foram registrados 78.383 focos de incêndio no país, sendo 41.332 só na Amazônia. 

Para o professor de Relações Internacionais da PUC-RJ, Marcello Campello, as recentes declarações do ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, podem ser um ponto negativo para o Brasil: 

- O desconforto já existe. As declarações do ministro do meio ambiente assim como as do ministro das relações exteriores e do próprio presidente já reverberam de forma negativa. Estamos em descrédito (na ONU) desde que mudamos nosso entendimento sobre questões LGBTs.

Com a nomeação do diplomata nigeriano Tijjani Muhammad-Bande, conhecido por seu posicionamento pró ambiental, para a presidência desta Assembleia-Geral da ONU, espera-se que a 74ª edição do encontro se debruce sobre o tema da preservação ambiental a partir do dia 24 de setembro, quando ocorrerá o Fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável.

Em diversas ocasiões o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, expressou sua preocupação para com a atual situação da floresta Amazônica bem como do meio ambiente em escala global.

Durante o encontro do G7 em agosto de 2019, Guterres sugeriu a criação de um evento durante a Assembleia-Geral para discutir a situação da Amazônia e engajar um trabalho conjunto dos países membros para preservar o que ele classificou como “patrimônio universal e essencial para evitar mudanças climáticas”.

De acordo com Maureen Santos, coordenadora do programa de justiça socioambiental da Fundação Heinrich Böll Brasil, a delegação brasileira deve chega na Assembleia-Geral com um status contrariado e focada em recuperar seu prestígio.

- A própria declaração do presidente Bolsonaro de que iria até de cadeira de rodas para falar sobre a Amazônia na Assembleia Geral mostra uma preocupação tanto para desfazer a imagem com que o Brasil ficou após acusações infundadas em relação a organizações da sociedade civil no início do ano e depois toda a questão com a França que se somou a outros processos desgastantes com a Noruega e a Alemanha.