Por Claudio Magnavita

As revelações do brasileiro Carlos Ghosn expõe um lado negro do Japão exatamente em um período de atenção planetária ao país que será sede dos Jogos Olímpicos de 2020.
Há apenas 75 anos chegava ao fim a Segunda Guerra Mundial, na qual o Japão escreveu as mais negras páginas, principalmente com o tratamento dado aos prisioneiros aliados. Os requintes de crueldade e desrespeito aos direitos humanos foram imortalizados pelo cinema em filmes como “A Ponte do Rio Kwai”, uma adaptação do livro Pierre Boulle de 1957, e mais recentemente o “Império do Sol”, de 1987, ou o “Julgamento de Tóquio”, da Netflix.
A tortura psicológica sofrida por Ghosn - como tomar banho apenas duas vezes por semana, ficar em uma solitária com a luz permanentemente acesa, interrogatórios diários de oito horas sem a presença de advogado de defesa, entre outras arbitrariedades - demonstram a existência ainda de uma cultura de punição, exposta na Segunda Guerra e viva até hoje nos subterrâneos de um país avançado tecnologicamente, mas capaz de praticar atos de atrocidades.
A ministra da Justiça do Japão, Masako Mori, na sua nota pública, reconheceu as características próprias de um sistema judicial baseado na tradição e sutilmente falou sobre a necessidade de mudança, porém defendeu o modelo nipônico afirmando que não deve ser comparado com outras nações.
O lado negro do Japão fica novamente exposto, e os fantasmas de crueldade retornam em um modelo hi-tech e tendo como vítima um brasileiro, exatamente às vésperas de um evento planetário que deveria ajudar a redimir a imagem do país.