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Por Luciana Coelho e Alexa Salomão/ FolhaPress

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó se apresentou nesta quinta-feira (23) no palco principal do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, como presidente interino da Venezuela e pediu pela reintegração de seu país ao mundo.

"Hoje, depois de 28 anos, um presidente venezuelano voltou a este espaço", declarou Guaidó a uma plateia de poucas centenas de pessoas. "Precisamos de ajuda."

Indagado depois pela reportagem sobre sua relação com o governo do brasileiro Jair Bolsonaro, afirmou que mantém contatos frequentes e que tem "recebido ótimo apoio". 

"Temos contatos muito bons com o governo do presidente Jair Bolsonaro, que nos apóia nessa luta pela democracia", afirmou.  "O Brasil tem nos dado grande apoio diplomático."

Em seu discurso de 20 minutos, seguidos depois por uma sessão de perguntas com a diretora do Fórum para América Latina, Marisol Argueta, Guaidó descreveu um país em guerra do qual fugiram 5,5 milhões de pessoas e uma ditadura que abriga criminosos e terroristas. 

Citou nominalmente o grupo radical libanês Hizbullah e a guerrilha colombiana Farc, ambos convertidos em forças políticas em seus países. 

"Estou aqui para que não deixem a Venezuela de fora. É um país que tem problemas, mas tem muito potencial. É um país que tem muito a contribuir."

O Fórum convidou a Guaidó, que está proibido de deixar a Venezuela pelo regime de Nicolás Maduro, na véspera do evento, dia 19, quando ele chegou a Bogotá para se reunir com o presidente colombiano, Iván Duque, e com o secretário de Estados americano, Mike Pompeo. Duque também participa do Fórum em Davos.

Além do discurso em plenária, ele participou de um evento fechado mediado pelo Wall Street Journal acompanhado por empresários, jornalistas e acadêmicos – este, sim, lotado.
Citou o governo do brasileiro Jair Bolsonaro e o do colombiano Duque como interlocutores, assim como países europeus de uma forma geral. "São relações regulares, não para financiar supostas revoluções." 

Reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, Guaidó foi Indagado sobre a razão de não ter conseguido assumir de fato o poder um ano após ter se anunciado presidente interino.

Após titubear, respondeu apenas que a situação havia se deteriorado e que Maduro tinha se aferrado ainda mais ao poder, colocando-o como figura proscrita e censurando menções a seu nome na imprensa do país. 

Pediu, em seguida, pressão internacional para que eleições livres se realizem no país, lembrou que a produção petroleira que há duas décadas abastece a economia do país encolheu quase 70% e propôs que, uma vez no poder, promoveria uma abertura econômica para investidores estrangeiros como forma de restaurar uma economia em frangalhos.

Depois que Guaidó deixou Caracas, agentes da Sebin (o temido serviço de segurança venezuelano) teriam invadido seu gabinete e levado preso um de seus aliados, o deputado Ismael León. 

Guaidó afirmou em Davos que seu retorno a Caracas será "complicado", mas pediu que o momento seja usado como oportunidade para pressionar o regime. Mas não detalhou nenhum plano, e se limitou a descrever de forma genérica como saiu na surdina do país.

"Tivemos que despistar a segurança de Estado que nos seguia por Caracas –não são muito eficientes. Mas há muitos riscos na Venezuela."