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Por Gustavo Uribe (Folhapress)

No dia seguinte à operação do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizou nesta quinta-feira (19) as buscas e apreensões envolvendo o seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ).

Na entrada do Palácio do Alvorada, onde parou para cumprimentar um grupo de eleitores, ele inicialmente se negou a comentar o episódio. Depois, disse que o Brasil "é muito maior do que pequenos problemas".

"O Brasil é muito maior do que pequenos problemas. Eu falo por mim. Problemas meus podem perguntar que eu respondo. Dos outros, não tenho nada a ver com isso", disse Bolsonaro, recomendando que a imprensa procure o advogado do filho.

Diante da insistência dos jornalistas, o presidente citou investigações e apurações contra ele que, na opinião dele, foram injustas. Ele lembrou, por exemplo, quando foi acusado de racismo, inquérito que acabou arquivado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

E ressaltou depoimento citando seu nome que fazia parte do inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). O porteiro do condomínio do presidente, que havia feito referência a seu nome, depois corrigiu o depoimento.

O presidente foi, então, perguntado se insinuava que o Ministério Público estava perseguindo Flávio. Como resposta, citou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, seu adversário político. Segundo ele, uma gravação, identificada pela inteligência do governo, tentou relacioná-lo a atividades de milícias. Bolsonaro não explicou, no entanto, sobre que áudio fazia referência.

"Vocês sabem o caso Witzel, que foi amplamente divulgado. A inteligência levantou. Já foram gravadas conversas de dois marginais usando meu nome para dizer que sou miliciano", disse.

O policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador, foi alvo na manhã de quarta-feira (18) de operação comandada pelo Ministério Público.

Queiroz é pivô de uma investigação que tem como alvo o senador e outras 101 pessoas físicas e jurídicas, que tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados.

A Promotoria suspeita de um esquema conhecido como "rachadinha" no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro no período em que foi deputado estadual e manteve Queiroz como seu empregado (2007-2018).

A prática consiste em coagir servidores a devolver parte do salário para os deputados. Estão sendo investigados crimes de peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa.

Nas últimas semanas, deputados e senadores que conversaram com o presidente relataram à Folha que ele demonstrava sinais de abatimento com o receio de que a investigação contra o seu filho mais velho tivesse novas reviravoltas. 

O assunto, segundo eles, era o que mais incomodava Bolsonaro neste final de ano. Nas palavras de um aliado do presidente, desde o final de novembro, Bolsonaro temia uma possibilidade de prisão e "de cada dez assuntos que discutia, dois se referiam à situação do filho".