Paraguai é a nova menina dos olhos para importadores brasileiros

Por Leandro Martins de Almeida*

Desde a reabertura das fronteiras, em setembro de 2020, as importações de produtos manufaturados do setor têxtil vindos do Paraguai têm se tornado mais atrativas do que importar produtos finalizados da China. Além das vantagens fiscais garantidas por acordos do Mercosul, o país vizinho oferece ainda custo baixo de produção e frete com valor mais atrativo que em países asiáticos. De acordo com importadores e empresas de navegação, o custo da importação de um contêiner na rota China-Brasil saltou de US$2 mil para US$10 mil entre 2019 e 2020, por conta da pandemia, tornando o país menos atrativo para importadores brasileiros e voltando os olhos para o Mercosul. De fato, hoje, a melhor operação é com o Mercosul. Além de um custo final mais baixo, isenção de quase 100% dos tributos, o tempo de entrega do Paraguai para o Brasil é bem menor, o que facilita na hora de suprir uma demanda do setor têxtil, especialmente no que diz respeito a produtos de cama mesa e banho, onde o consumo se manteve aquecido.

No auge da pandemia brasileira, remessas da China foram canceladas por conta do lockdown, e quem não tinha volume de mercadoria estocado sofreu bastante. Muitas empresas faliram. Quem conseguiu se segurar e foi capaz de se reorganizar, saiu fortalecido. De acordo com informações do Centro Nacional de Navegação Transatlântica - entidade associativa que representa 97% do comércio exterior de contêineres - entre março e julho, foram canceladas 23 viagens de navios da China. O número equivale a ao menos cinco semanas sem importações de contêineres do país. Muitas empresas deixaram de fazer pedidos, houve cancelamentos, mas a demanda por produtos não caiu como esperado. Em meados do ano, ficou claro para as empresas que seria necessário retomar os pedidos. O aumento, porém, coincidiu com a retomada na Europa e nos Estados Unidos, levando a uma disputa acirrada por contêineres e embarcações. Hoje, praticamente todos os navios disponíveis no mundo estão em uso, segundo a Centronave. Resultado: os fretes dispararam e, mesmo passada a demanda das festas de fim de ano, os valores continuam em alta.

Na Matrix Importações, uma das mais antigas importadoras do setor têxtil no Brasil, que antes tinha 60% de pedidos oriundos da China, hoje mantém apenas 20% vindo de lá e 80% agora vem do Paraguai – são 20 carretas por mês, com um total de 140 mil tapetes, 400 mil cobertas e 200 jogos de lençóis que são finalizados no país vizinho.

Outro marco no aumento das importações do Mercosul foi o Acordo sobre Facilitação do Comércio Mercosul, assinado durante a 55ª Cúpula de chefes de Estado do Mercosul em dezembro do ano passado. Ele oferece previsões importantes para o uso de tecnologias no processamento das exportações e importações, com o intuito de reduzir tempos e custos das operações. E o acordo, somado aos benefícios oferecidos pelo Paraguai, tornam o país um fornecedor mais interessante no mercado têxtil. A expectativa é de que em 2021 o volume de importação deste país cresça ainda mais.

*CEO e Diretor de Operações da empresa Matrix Importações