Servidores da cidade do Rio sob ataque

É como dizem por aí: nada é tão ruim que não possa piorar. Foi isso que aconteceu com os servidores do município que viram, no dia 13 de abril, a reforma da Previdência municipal ser aprovada na câmara dos vereadores por um voto de diferença: 23 favoráveis à reforma e 22 contrários. Uma das principais alterações está na alíquota previdenciária, que passará de 11% para 14%. Ou seja, a prefeitura do Rio vai tirar do bolso de seus trabalhadores ainda mais dinheiro. A expectativa é que a reforma entregue ao Fundo de Previdência do Município R$ 200 milhões por ano, e que esse dinheiro seja utilizado para diminuir o déficit previdenciário na cidade.

Sabemos que as coisas não vão bem pelo Rio há tempos, mas a pergunta que fica é: por que é o trabalhador que sempre paga a conta? Não precisa ser especialista para entender que é perfeitamente possível conseguir receitas de outras fontes. Por que o Rio não diminui as isenções fiscais de grandes empresários?

Por que o prefeito não se empenha em discutir e aprovar o IPTU progressivo na cidade? É preciso lembrar que a maioria dos servidores do município do Rio de Janeiro ainda nem recebeu o décimo terceiro salário do ano passado. É uma situação vergonhosa, um crime contra a população que, além de enfrentar a pandemia da Covid-19, tem que pagar uma conta que não é sua. Estamos falando de profissionais da saúde, por exemplo, que, cotidianamente, colocam suas vidas em perigo e no lugar da gratidão ganham a reforma de presente.

Em resposta às críticas, Eduardo Paes diz que a reforma segue os parâmetros da reforma federal, como se isso fosse alguma boa justificativa. Pelo contrário, a afirmação só ratifica o caráter criminoso e injusto da decisão tomada pela maioria dos vereadores. Meter a mão no bolso de quem tem menos é sempre mais fácil do que mexer no paraíso fiscal da elite que não precisa da aposentadoria para sobreviver.

Não tem sido fácil acompanhar todas essas notícias e imagino que, para vocês também, não. Mas digo que precisamos ser fortes e resilientes, precisamos estar junto daqueles que lutam pelos trabalhadores e por uma cidade melhor, por um país mais decente. Acreditem, ainda existem pessoas assim. Cito como exemplo os vereadores do PSOL e do PT que defenderam os servidores.

A reforma da Previdência foi aprovada e fomos golpeados mais uma vez. Mas continuaremos aqui, lutando pelo que acreditamos.

*Escritora, professora e doutora em Filosofia pela UERJ