Onde Paes está errando

Por Aristóteles Drummond*

Eduardo Paes é, sem dúvida, um quadro de excelência na política fluminense. Está no lugar, na hora e com a idade certos. Com boa estrela, superou uma rejeição alta, beneficiado pelo desgaste do ex-prefeito.

Tem tudo para se tornar relevante na política nacional. Mas, para isso, tem de se dedicar à gestão da cidade, exercer o mandato até o fim e, num próximo, pensar em novas missões. Conhece a cidade, tem talento, bom gosto e sabe realizar, qualidade rara em nossos gestores públicos.

Entretanto, o prefeito, que está com bons projetos, arrisca-se ao desgaste preocupado com alianças políticas, mesmo que sem um objetivo eleitoral. Não percebe que sua aliança preferencial é com a população, mantendo bom diálogo com o Estado e correta postura para com a União. Soma mais fugir a polêmicas do que exercer um ativismo estéril, que em nada beneficia a população.

Vivemos uma era de resultados; o foco é cumprir bem a missão, longe de especulações políticas. Com esta postura, o governador Cláudio Castro vem se fazendo notar, discreto e operoso.

O mesmo perfil tem o governador de Minas, que, apesar das dificuldades que o Estado enfrenta, mantém o reconhecimento da população.

Eduardo Paes é de família tipicamente carioca, de classe média, da moderação, da educação e do equilíbrio. Deve fugir do aplauso daqueles que terá outras opções na hora H. No mais, se exagerar na busca de um desnecessário consenso político, pode perder a base que permitiu a sua volta. Ele sabe quem é tóxico na nossa política e tem aliados, cujos mandatos dependerão de seus esforços pessoais.

O Rio precisa de dedicação e não de articulação política que não aquela que permita a volta à relevância. O setor privado tem feito sua parte, sendo exemplo o retorno da Associação Comercial, que, restaurada sua magnitude com Angela Costa, entra em nova fase com José Antônio Nascimento Brito, que tem uma longa trajetória na vida empresarial e, hoje, é presidente da Abert-RJ.

Eduardo Paes deve observar que Temer não foi reeleito, fazendo uma boa transição com sua capacidade política e boa orientação na economia, pois não quis abrir mão do convívio com amigos tóxicos, malvistos e malquistos.