Chicão Bulhões fala como melhorar o Estado do Rio

Ele tem este nome pomposo, Francisco Siemsen Bulhões Carvalho da Fonseca, mas é, para seus eleitores e o público em geral, o deputado Chicão Bulhões, advogado, 32 anos, em seu primeiro mandato. Foi eleito com 26.335 votos, o mais votado do Partido Novo no Rio. Sua principal bandeira, afirma, é o empreendedorismo como forma de fomentar a economia do Estado, por meio da desburocratização e da simplificação de tributos

Por: Claudio Magnavita

Vamos começar pelo princípio. Conte um pouco sua trajetória e como entrou na política.

Bom, eu conheci o projeto do Novo em 2013, já gostava de política, mas nunca tinha me envolvido muito a fundo, e comecei a me animar vendo pessoas novas naquele momento ali de querer coisas novas na política, onde todo mundo estava buscando uma renovação. E olhei para o lado, tinha uma bagagem que eu tive a sorte de ter na minha vida, que foi uma boa formação que a minha família pôde dar... Uma boa vida, uma experiência boa no exterior, e de trabalho também em grandes escritórios, e também depois com o meu próprio escritório de advocacia. E olhando aquilo ali, eu pensei: "cara, eu acredito que posso contribuir. Eu acho que posso ajudar a construir um lugar melhor para a gente viver". O Rio de Janeiro, eu acho um lugar incrível, com um potencial imenso, com pessoas maravilhosas, mas que vem sofrendo há muito tempo com uma péssima gestão, e com uma política extremamente corrupta que a gente tem visto aí, que foi parar nas páginas policiais. Então, foi com esse sentimento que abracei o projeto do Novo, e entrei na política. Deu certo, juntei meus amigos, as melhores cabeças que eu conhecia, e acabou dando certo e vim parar aqui pela primeira vez. Tem sido uma baita experiência.

Você tem 32 anos, vem de uma família tradicional da Zona Sul, com políticos expoentes, e foi o único com esse DNA de abraçar, de fato, esse mundo da política. Por que política era um assunto proibido para esse segmento social, de onde você tem a sua origem?

Excelente pergunta. Eu acho que o nosso maior desafio hoje é justamente despertar isso no voto de opinião na Zona Sul, por que a gente vê esse distanciamento, e até quando eu mesmo me lancei candidato, algumas pessoas da minha família, como o meu pai, me chamou e falou assim: "tá louco,cara? Tá doido? Você vai se meter nesse mundo tão difícil?". Aí eu falei: "pai, eu tenho duas opções. Ou eu vou abraçar aqui a cidade e o estado aonde eu moro e vou ajudar a resolver, ou eu realmente vou pegar as minhas coisas e vou sair! Coisa que eu não quero fazer". Então, para mim só existem duas opções. A política faz parte da nossa vida. Ela está aí todo o dia. Ela tem um impacto imenso em tudo que a gente faz, e infelizmente grande parte de uma elite bem preparada e que poderia ajudar muito nessa construção, com o tempo acabou se distanciando por entender que aquilo ali era um espaço complicado. Mas se a gente não participar, quem que vai fazer pela gente?

É verdade que dá mais ônus do que bônus no ciclo social em que você vive?

Realmente traz um ônus grande sim, por que é claro quando você tem uma carreira, está bem encaminhado e tudo mais, você busca voos mais altos, inclusive um bom salário no privado, com boas oportunidades. Isso estava muito bem encaminhado na minha vida. Então vir para a política, apesar de ser um grande prazer e realmente poder ajudar a sociedade é também uma recompensa, mas sobre os outros termos financeiros e de carreira traz um ônus de desconfiança, as pessoas xingam os políticos, o político é visto hoje de uma maneira muito ruim. Então isso traz, sem dúvidas, um certo ônus para a imagem. Mas eu acho que o bônus compensa. O bônus de você poder ajudar e se sentir participativo vale a pena.

Você enxerga isso como uma missão?

Sem dúvidas! Enxergo como missão. É uma missão que você não consegue fazer sozinho. Você precisa de um grupo, de gente boa em volta. O poder, na verdade, é emprestado. E eu acho isso muito bom.

O poder é emprestado ou outorgado?

Outorgado, né. Outorgado e emprestado, por que é a população que te dá aquele poder temporário para você poder fazer o melhor possível com aquilo ali. É por isso que você tem que prestar contas também, e participar. Então, eu me sinto "estando na política". Nós todos somos seres políticos, eu estou na política. Não quero fazer a minha vida dependente disso. Eu quero melhorar o lugar que eu vivo para poder morar aqui com os meus filhos, com a minha esposa, com a minha família, e realmente a gente poder ter um lugar melhor, mais seguro, onde a gente possa ser mais livre para fazer tudo aquilo que a gente quiser fazer, porque hoje eu penso que todo mundo se sente um pouquinho aprisionado de alguma forma aqui no Rio.

Você fala Zona Sul e nós estamos em um momento em que se pensa muito na questão da validação do voto distrital, ou distrital misto. Você se sente um deputado distrital pelo fato dos seus 26 mil votos terem sido concentrados na Zona Sul do Rio?

Eu sou a favor do voto distrital. Acho que traria uma proximidade grande com os deputados. Então eu sou a favor sim desse modelo, acho muito interessante. Mas a nossa atuação é muito pautada no todo. É muito engraçado que ao longo da campanha, as pessoas me perguntavam, ou até muito fora do Rio: "ah, o que você vai fazer pela minha cidade? O que você vai fazer pelo meu bairro?". A gente falava: "olha, a gente não vai fazer nada em específico, por que a gente quer fazer pelo Rio de Janeiro todo. A gente tem que fazer mudanças estruturantes muito grandes, para que as pessoas que moram ali possam ser donas de suas vidas e possam construir os seus locais. Não vai chegar um deputado aqui de sei lá aonde e dizer para você o que é melhor para a sua vida.
A gente quer que você tenha o poder de fazer essa atuação. Então, eu realmente vejo com muitos bons olhos esse poder local, mas o voto da Zona Sul é um voto muito de opinião, e a gente teve a sorte de que a nossa mensagem foi muito bem compreendida nessa região, embora tivéssemos tido votos em 88 municípios do Rio, mas realmente muito concentrados aqui na cidade. Tivemos sorte que fomos muito bem compreendidos e muito bem recebidos ali.

Você vem pelo partido Novo. O partido Novo ficou velho rapidamente?

O partido Novo tem uma baita oportunidade de trabalhar com os quadros jovens que entraram. Eu acho que a gente tem que aproveitar essa janela de oportunidades. Eu não acho que ficamos velhos. Acho ainda que a gente está começando, mas temos sim que fazer muito bem o nosso dever de casa para que a gente não perca essa janela de oportunidades, e que a gente possa entregar tudo aquilo que a gente está querendo fazer... cidades, estados e país também.

Queria que você falasse agora da sua formação, já que frequentou boas escolas. Você não acha que, de certa forma, essa elite é muito egoísta em não dividir e não se preocupar em ter o comando político para compartilhar? Você se considera uma exceção nessa curva?

Acho que tem muita gente com potencial imenso no Rio de Janeiro que, não necessariamente, é da elite financeira ou intelectual. Rodando o Rio, principalmente em alguns lugares das favelas, a gente vê um sentimento, uma riqueza humana incrível. Então, a gente inclusive deveria trabalhar com o conceito de elites locais, não só uma elite geral no Rio de Janeiro, mas você tem elites regionais que não necessariamente estão ligadas se a pessoa é mais rica ou não, mas sim se a pessoa tem uma liderança naquele local. Ela tem uma atividade de líder. Então, eu acho que identificar essas lideranças locais é um grande trabalho e é o nosso dever de casa a ser feito. Encontrar essas lideranças que hoje estão muito afastadas do público, e trabalhar dando força para a sociedade civil, independente se ela faz parte de uma elite financeira, que faz parte da sociedade, mas não é o grande foco. A gente deveria muito encontrar essas elites locais, com espírito público de melhora. Esse é o desafio que a gente quer, isso que a gente quer atrair para a política. Todo lugar tem a sua elite, a gente precisa reconhecer isso, independente se ele é pobre ou rico.

Sentar na cadeira e ver o dia a dia é diferente de quem o vê de fora? Como é a política nas entranhas?

Vou fazer uma comparação prática: é muito difícil, quando você vai analisar uma empresa, dizer que conhece o dia a dia sem estar lá dentro. É a mesma coisa com o público: de fora a gente pode ter percepções, que se confirmam, ou não, quando, de fato, passamos a conhecer por dentro. Positivamente me surpreendeu. Muita gente boa, querendo fazer a diferença, querendo mudar, principalmente os servidores públicos, de carreira. Surpreendeu-me negativamente esse passivo do Sergio Cabral e do MDB, que deixou nossas instituições muito maculadas no Rio de Janeiro.

Mas o Sergio Cabral era um garoto da Zona Sul...

Para você ver que não é ter um carimbo de Zona Sul que te traz, necessariamente, o espírito público. Você pode ser da Zona Sul ou de qualquer outra região e possuir um carimbo de honestidade. Isso está nas nossas atitudes, naquilo que a gente faz. Então, precisamos analisar sempre os atos.

E o passivo que o Cabral deixou no Rio?

O passivo que o Cabral deixou no Rio, na nossa opinião, perpassa por todos os poderes, em todas as instituições do estado, que pegaram essa herança do Sergio Cabral. A gente vê isso nas delações premiadas da Lava Jato, com novas pessoas presas. Acho que a população está muito ciente desse passivo. Para reverter essa situação, em minha opinião, só trazendo pessoas comprometidas, com novas atitudes e novas lideranças. E, como você bem colocou, não precisam ser lideranças da Zona Sul, embora, seria bom se tivéssemos, mas novas lideranças comprometidas com a atitude. Eu não gosto muito dos termos “velha” e “nova” política, pois acho que confunde. Você pode ter pessoas na política que estão há muito tempo e não tem atitudes corruptas, ao passo que você pode ter pessoas que entraram recentemente e já se renderam àquelas atitudes que a gente não quer mais ver e que, infelizmente, a gente viu nos últimos anos. Então, é realmente buscar essas novas lideranças para a gente construir uma saída.

Você tem uma tese de que a renovação se dá com a abertura de espaço para as novas gerações. Você tem uma geração que está na ribalta, uma geração que está presa e outra que está surgindo. Comenta um pouco sobre essas três gerações, que estão convivendo juntas nesse processo de mudança na política.

A nossa visão é de que estamos vivendo um momento de desafio dessas lideranças. As novas lideranças que chegaram agora, na qual me incluo, ainda estão mostrando a que vieram e começando a mostrar o seu trabalho. Sem dúvida nenhuma teremos oportunidades de mostrar isso ao longo do tempo. E as lideranças que já estavam há muito tempo, estão mostrando sua fase de aposentadoria. Essa foi muito atingida pelas fases da Lava Jato, que acabou colocando muita gente na cadeia ou acabando com a carreira política, criando um vácuo de falta de liderança neste cenário. Então, acho que a gente vive um momento, uma oportunidade de fazer transição. A gente tem que encontrar na experiência pessoas dispostas a pavimentar caminhos para as novas práticas e novas lideranças, que queiram fazer essas mudanças. Eu acho que e é essa a maturidade que a gente precisa ter, esse diálogo, essa ponte, que, se a gente conseguir construir, o Rio de Janeiro ganha.

Você tem sentido que a Alerj tem passado um espírito de corpo, que há muito tempo não tinha. Ou seja, você sente a valorização do mandato individual de cada parlamentar, deixando de ser um apêndice da Mesa e das lideranças maiores?

Difícil para mim avaliar não estando lá. Eu cheguei agora e não vivi os tempos de Picciani e Paulo Melo. Eu não sei avaliar, mas, pelo que os mais experientes falam, a Alerj está vivendo um processo de maior democracia e maior espaço para que os parlamentares exerçam o seu cargo.

Você acha que a transparência da que a Alerj tem hoje foi uma das grandes vitórias do embate que promoveu a questão da presidência da Mesa?

Sem dúvida. Eu acho que agente precisa trazer luz para onde tinham sombras no passado. A nossa atuação é para isso, para que a população sabia o que acontece e tome a sua própria decisão. Quem tem que avaliar o trabalho do parlamentar no final do dia é a população, para quem a gente precisa prestar conta. O nosso movimento interno foi todo nesse sentido: transparência máxima em tudo que a gente faz e em tudo que acontece na Assembleia, para que a população possa participar. A gente quer trazer a sociedade para dentro da Assembleia. Essa sempre foi a nossa meta e continua sendo.

Em relação à transparência, como você tem se comunicado com o seu eleitor? Tem prestado contas?

Muito nas redes sociais: Facebook, WhatsApp, Twitter e Instagram. Esses são os nossos principais canais, onde a gente interage muito. A gente tem uma equipe respondendo sempre todas as colocações e demandas. Nós temos uma taxa de mais de 90% de respostas de todo mundo que nos procura. É muita gente e nos dedicamos muito a tirar dúvidas da população e as redes sociais nos ajudam muito nisso, nos deixam muito próximos deles. A gente tem um site e e-mail, mas isso acaba perdendo espaço para essas novas formas.

Dentro desse um ano e meio de mandato, quais foram os momentos em que pensou que está valendo a pena ser deputado?

São vários. Toda vez que você sente que fez uma diferença, seja numa votação aprovando uma emenda importante, aprovando um projeto de lei, dando uma opinião em que a população está junto com você e sente esse retorno, que você fez a diferença, vale muito. Mas, temos também momento de muitas dificuldades, quando a gente vê acusações de corrupção, embates que levam para o pessoal, coisas disfuncionais, isso cria um ambiente muito tóxico. Então, a gente sempre tenta navegar em momentos de muita alegria e momentos de desafios que a gente precisa aprender a passar, para trazer maturidade a todos.

Você tem um discurso de criar propostas proativas para a economia do Rio. Qual o caminho que você vê para o Rio sair da crise?

Primeiro aspecto que a gente não pode abrir mão é de responsabilidade fiscal. A gente está numa situação que já está no abismo e precisamos sair. Então, não podemos abandonar a responsabilidade fiscal. A gente entende que, neste momento de pandemia, às vezes o ímpeto nos faz resolver as coisas através de projetos de lei que sabemos que no fundo, não necessariamente, serão tão estruturantes. Precisamos enfrentar pautas, como por exemplo a reforma da previdência, continuar fazendo, uma reforma administrativa, repensar o nosso sistema tributário. Trabalhar junto com as bancadas federais, porque o Rio de Janeiro depende muito da União, mas mais do que isso, trabalhar saídas sustentáveis. O petróleo é muito importante, mas o Rio não pode ser dependente de petróleo, nós precisamos diversificar a economia. Por exemplo, o mundo está entrando na fase de economias verdes. Estamos vendo os grandes investidores internacionais nesse sentido. Acho que o Rio tem grande potencial nisso, principalmente porque está ligado a saneamento e meio ambiente. Deveríamos olhar com carinho.E o Rio também tem um potencial turístico que sabemos que nunca foi explorado, apesar do governador Witzel fazer disso uma bandeira, mas aí também veio uma pandemia no meio disso e atrapalhou um pouco esses planos. Devemos trabalhar a nossa diversidade economia. Outro ponto é o tecnológico. O Rio tem os principais centros de tecnologia, as principais universidades. Tem universidades federais. Temos um potencial de tecnologia imenso. Devíamos surfar essa onda e não estamos aproveitando, como, por exemplo, a região do Porto Maravilha, que poderia ser um lugar de atração desses investimentos. Tem muita coisa para fazer, mas precisamos de governantes de credibilidade para isso.

Como vê o cenário que se desenha para as eleições municipais deste ano?

Eu acho que a população está procurando pessoas experiências, que saibam fazer gestão, mas que venham com uma nova pegada. Nesse cenário atual nós temos um candidato do Partido Novo, que é o Fred Luz, que vem trazendo experiência de gestão desde o Flamengo, onde fizeram um bom trabalho, a gente vem apoiando. Mas a gente vê também uma volta daqueles nomes do passado que a população já está acostumada e sente mais segurança, como o Eduardo Paes, até a deputada Martha Rocha, da Alerj, que são pessoas que estão à frente nas pesquisas e que devem fazer a caminhada para o segundo turno. Eu gostaria de ver caras novas.

O pessoal da Comissão de Saúde e Enfrentamento à Covid-19, cuja presidente é a Martha Rocha, e o relator é o Renan Ferreirinha, vem fazendo um trabalho robusto de recolhimento de provas. Qual a sua avaliação sobre o trabalho dessa comissão, de colocar fim à impunidade e um luz no que está acontecendo?

Superimportante, essa comissão está fazendo um grande trabalho, vai contribuir muito para a gente esclarecer muitas dessas situações. Está sendo muito bem conduzida pela deputada Martha Rocha e muito bem relatada pelo deputado Renan. Acho que é um trabalho sério que está acontecendo e nesse aspecto a Assembleia está muito aguerrida em resolver essa situação, mostrar para a população o que aconteceu. Como você mencionou, a gente trabalha muito com esse aspecto da luz do sol.

Sem trocadilho com o Fred Luz, né?

Sem trocadilho, mas pode ser, né? Trazendo luz para o Rio de Janeiro (risos).

O vice do Carlos Lacerda foi da sua família. Fala desse seu DNA político que pouca gente conhece.

É verdade. O meu tio avô, Rafael de Almeida Magalhães, foi vice do Carlos Lacerda. Embora eu não tenha tido uma vivência tão intensa com o Rafael como eu gostaria. Foi um dos últimos governos, talvez o último que, de fato, tinha um liberal atuante que era o Carlos Lacerda. Eu levanto muito essa bandeira liberal também, mas se você for olhar para o passado, há 30 anos, desde 1983, o Rio não tem um liberal no poder. É uma coisa sintomática, porque às vezes a gente vê a esquerda culpando o neoliberalismo, mas na verdade a gente teve o Brizola, os ‘Garotinhos’ e aí teve o Sérgio Cabral, mas, de fato, nenhum liberal, o último talvez tenha sido o Lacerda. Nesse aspecto é muito interessante porque é uma influência positiva entre os liberais.

Você teve também o Dario de Almeida Magalhães, que era jornalista e ligado à política.

Meu bisavô. Outros tempos, mas ele foi muito atuante aqui no Rio. Foi deputado federal lá atrás, jornalista, é também uma influência política, sempre teve um nome forte na política, embora, de novo, também não foi meu trampolim eleitoral. Não usei dessa herança de forma nenhuma para entrar na política, mas são inspirações, sem dúvida.

Já que estamos falando de gerações passadas, sua base eleitoral é Zona Sul e nós temos um segmento muito forte da terceira idade na localidade. Você tem dado um olhar diferenciado em seu mandato a essa faixa etária?

Não temos uma agenda específica, mas a gente sabe que tem muita gente da terceira idade com o espírito mais jovem do que o de gente jovem e acho que quando a Zona Sul abraçou essa renovação as pessoas queriam novas pessoas que, independentemente da idade, fariam o que deveria ser feito. São mudanças estruturantes e mudanças estruturantes não são fáceis de serem comunicadas. Às vezes depende de uma mudança institucional, uma mudança de governança. Quem tem muita experiência sabe o quanto isso é importante. A gente conseguiu transmitir isso para o nosso eleitorado, que entende essa mudança. Muitos donos de empresa, empreendedores sabem que uma instituição com qualidade é aquilo que torna um ambiente propício para que a população possa florescer. Temos um diálogo muito bom, sempre de alto nível e a sorte de conseguir esse eleitorado qualificado, mas a gente quer chegar mais longe.

Você foi do núcleo familiar do João Amoedo e, de uma hora para outra, é eleito pela legenda que ele criou. É verdade que ele nunca pegou o telefone para ligar lhe parabenizar pela vitória?

(Risos) Eu sou muito amigo da família Amoedo. Hoje tenho minha noiva que amo muito, as vidas caminharam muito bem. A gente tem uma relação muito legal. Eles que me apresentaram ao Partido Novo, eu não conhecia e foi uma sorte muito grande.

Mas ele ligou para você?

Nos falamos pelo telefone, no momento certo. Muita coisa pós eleição, eles também vieram de uma eleição presencial, mas eu tenho muito carinho por todo o trabalho que eles fizeram. Se não fosse esse trabalho eu não estaria aqui, porque eu entrei na política muito pelo projeto do Novo.