Apelo por Metrô até a Gávea

Associações de moradores da Gávea, do Alto Rebouças e de São Conrado, além entidades da construção civil, como a Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações de Classe de Infraestrutura e o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada, lançaram, com a Concessionária Rio Barra (CRB) o movimento ‘Anda, Metrô Gávea’, em defesa da finalização da obra, parada desde 2015. A estação Gávea é a única inacabada da linha 4 do metrô no Rio.

Detentora do contrato de concessão da linha 4, a CRB identificou o apelo popular pela entrega da estação e obteve apoio de entidades que subscrevem o site ‘Anda, Metrô Gávea!’. Ele reúne argumentos ao público, depoimentos de dirigentes de associações de moradores, e do Clube de Diretores Lojistas, visando a sensibilizar o governo do estado, responsável pela obra, a realizar a entrega definitiva à população. A estimativa é que o metrô linha 4 retire, por dia, 10 mil carros de circulação das ruas.

A obra da Estação Gávea está paralisada desde 2015, com 43% dos trabalhos prontos. Na época, o governo do Rio disse não ter dinheiro para finalizá-la. Desde então, a estação está inundada com 36 milhões de litros de água para evitar riscos à sua estrutura e à de prédios vizinhos.

Em abril, porém, em vez de optar pela conclusão e entrega à população, o governo do Estado lançou edital para reforçar a estrutura da obra, em mais gastos, sem data para os usuários desfrutarem o bem público. A decisão frustrou as entidades, que lançaram o movimento.

Uma intervenção provisória, sem terminar a estação, custaria em torno de R$ 300 milhões – equivalente a 40% dos R$ 750 milhões estimados para entregar toda a estação pronta para uso da população. Mas o Estado diz que planeja gastar numa obra temporária R$ 70 milhões, valor que não cobriria as necessidades técnicas de uma adequada contenção.

PALAVRAS DE ESPECIALISTAS

Alguns especialistas no assunto destacam que a importância da estação Gávea é ainda maior que sua usabilidade na região, visto que terá papel fundamental para uma futura expansão do metrô no Rio.

Francis Bogossian, presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE), destaca que “as obras precisam ser reiniciadas, com urgência e segurança, visando à sua conclusão, e deixando o Metrô fluir livremente para as estações General Osório, Jardim Oceânico e Carioca, o que é fundamental a uma melhor mobilidade urbana”.

Já o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, apela “à sensatez das autoridades do Estado e do TCE para que saiam da postura imobilista e façam esforços para o término da Estação Gávea”.

Rio de Janeiro

POSIÇÃO DO TCE

Citado por Celestino o Tribunal de Contas do Estado (TCE) fez um relatório no qual apontou um sobrepreço de R$ 2,3 bilhões na construção da linha 4, que consumiu até agora R$ 8,4 bilhões. A conclusão do TCE, contudo, é contestada no parecer do professor Aldo Dórea Mattos, encomendado a pedido da CRB.
Mattos analisou item a item o documento do TCE, com base em patamares testados em outras obras e aprovados por outros tribunais. Para ele, o TCE se equivocou ao utilizar bancos de dados sem parâmetros para a construção da linha 4.

“Em auditorias, é preciso ter um ‘custo-padrão’ para se buscar nos bancos de dados oficiais. Mas não há como estabelecer um paralelo da obra da Linha 4 do metrô do Rio com qualquer outra do mesmo porte. Tudo nela é diferente e novo, seja pelo tamanho ou pela tecnologia aplicada, como o ‘tatuzão’ (equipamento-gigante que constrói túneis), o sistema de ventilação dos túneis e a ponte estaiada em curva”, afirma Mattos.

O professor listou exemplos de discrepâncias entre os dois relatórios. Na composição de preços adotada pelo TCE para o concreto projetado na obra, o equipamento imaginado por técnicos do tribunal é uma betoneira de 320 litros – máquina usada para fazer calçadas –, enquanto a obra do metrô utilizou duas centrais de concreto de alta capacidade de produção. Outro equívoco é que essa obra ocorreu em três turnos, com custos de adicional noturno e serviços sobre os quais houve incidência de adicional de periculosidade, além de benefícios aos empregados regidos por convenções trabalhistas – o TCE não levou esses gastos em consideração.

Para a CRB, cabe ao TCE-RJ analisar as diferenças para chegar à sua conclusão sem dúvidas, e de acordo com os custos de engenharia reais. A concessionária acredita que, ao verificar os equívocos, o tribunal restabelecerá a verdade e dissipará ruídos para o caminho da retomada e do término da obra, a fim de entregar a estação Gávea aos cariocas.