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O advogado Lucas Tristão se transformou na pedra do sapato do governador Wilson Witzel e abriu frentes de atritos por um amadorismo político inimaginável. Conseguiu colocar a Assembleia Legislativa em pé de guerra contra o governo ao revelar um esquema de arapongas bisbilhotando a vida dos 70 parlamentares.

O mais grave porém é o ilícito de Tristão ter virado secretário e continuar como sócio de uma firma de advocacia, fato denunciado pelo CORREIO DA MANHÃ e confirmado por ele.

Denúncia aponta também que o outro sócio da firma de direito tributário é Carlos Augusto Jeniér, atual diretor substituto de assuntos jurídicos da Caixa Econômica no Governo Bolsonaro e que entrou na sociedade quando ainda era conselheiro titular do Carf. Em surto amnético Tristão afirmou que desconhecia a sua própria tentativa de também virar conselheiro.

O caso fica mais grave quando atinge o próprio governador. Para justificar o auto-aporte de R$ 222 mil na sua campanha, Witzel afirmou que o valor tinha origem de “Luvas recebidas” para entrar como sócio de um escritório do Rio e um outro no Espírito Santo. No do Rio, a sociedade efetivamente ocorreu, mas não houve luvas e os pagamentos ocorreram, mas só depois da saída da sociedade como consequência da eleição. Este fato deixa para o escritório do Espírito Santo a fonte do recurso e esta sociedade seria exatamente com Tristão, como publicado na imprensa e nunca desmentido.

Esta possível relação financeira entre Tristão e Witzel precisa ser esclarecida. Na época, o candidato a governador que declarou ao TSE ter a conta bancaria zerada e magicamente surgiram R$ 222 mil de depósitos para a campanha, antes dos aportes do escritório carioca. Se o esquema de arapongas do estado tivesse focado no Tristão, ele já teria sido ejetado da cadeira.