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Traiu Bolsonaro, agora joga culpa no presidente e escolhe homem de Cunha como seu fiel escudeiro

Por Cláudio Magnavita

As atitudes de bom moço do governador Wilson Witzel com relação ao presidente Jair Bolsonaro só agravam o fosso que separa o dois.

Em entrevista ao jornal "O Dia", o governador se colocou com um pobre rejeitado, discriminado pelo Planalto, esquecendo a sua longa de mal feitos contra o presidente. Quem leu achou traços de santidade na sua postura.
Agora, ao mobilizar os governadores de oposição em uma correspondência acuando o presidente, Witzel pousa de estadista e republicano.

O texto, suavizado pelo outros subscritores de bom senso, é bem mais leve do que a proposta original do governador fluminense.

Os jornais falam em 20 governadores, porém poucos se dão ao trabalho de dizer que nove são os do Nordeste, em oposição permanente. Fora o Nordeste, três são do PSDB, e os da região Norte a reboque do Wilson do Amazonas do mesmo PSC do Witzel. No meio, o do Distrito Federal, que - como uma bússola tonta - tem rodado para todos os lados.

Neste cenário, só um governador tem criado o hábito de cutucar a onça com vara curta: o próprio Witzel. Da lista dos subscritores, é o único que foi eleito 100% na cola do Bolsonaro. Surfou no lavajatismo, no antipetismo (corrente ao qual se alia agora) e grudou no senador Flavio Bolsonaro, no qual virou sombra na agenda que hoje tenta destruir.

Quem iniciou a cisão com Bolsonaro, logo após ter sido diplomado, foi Wilson, afirmando que ele nao concluiria o mandato e demitindo exatamente a pessoa que lhe trouxe o aval da família presidencial.

É visível que a máquina do estado foi colocado à disposição da sua fixação de atacar os Bolsonaros.

Agora o Witzel no cenário nacional incorporou um especialista maquiavélico, capaz de trazer para o Palácio Guanabara todo ardil de Eduardo Cunha e do Governo Temer, o ex-deputado federal do PSC-SE, André Moura que atuou como líder do Governo do PMDB no Congresso.

O primeiro passo foi alojar Moura na representação em Brasília, logo transferido para a Casa Civil, com uma sede de poder nunca vista nos governos anteriores.

Tem o seu dedo a articulação com os governadores e principalmente a busca de uma agenda comum com a oposição petista que Witzel dizia odiar. Moura tem um ingrediente a seu favor além da couraça de jacaré: é nordestino. Nunca o seu sotaque foi tão forte como nestes últimos dias.

Ele tem tido surpresas com a política carioca e principalmente com o nosso legislativo. Considera a Câmara Federal um convento se comparado com a Alerj.

Tem sido dele a criação de uma base partidária no troca a troca de cargos com as legendas. Nunca um governo novo ficou tão velho em tão pouco tempo.

O mapeamento de secretarias X legendas deixou o inovador Governo Witzel com cara de Governo Temer. Só falta Cunha na ativa para ficar igual.

O combustível de poder de André Moura é a cenoura presidencial que pendurou na frente do governador. Ele promete materializar o sonho com o Planalto dele. É habilidoso nos elogios e sempre leva agenda positiva para o chefe.

É uma equação perfeita. Witzel ganhou um experiente homem de bastidores e negociações partidárias, com visão geográfica ampliada, e Moura resolveu seu problema de falta de espaço depois da derrota que sofreu nas últimas eleições.

Esta equação só não contava com um fator: a transparência do presidente Bolsonaro e a sua franqueza de metralhadora.
Bolsonaro presidente é diferente do Bolsonaro deputado que André Moura conheceu na Câmara. Ele tem componentes de imprevisibilidade bem diferentes do presidente Temer, que adorava conspirações e o clima de traição.

A inciativa de Witzel/Moura de mobilizar os governadores não coloca o governador fluminense como um líder nacional, pelo contrário, consolida a sua imagem de traidor, de quem cuspiu no prato que comeu, de quem virou uma enorme vitrine. Ele hoje fez o jogo da oposição. O reflexo com eleitorado, porém, tem sido enorme. Esta semana, no ensaio técnico da Mangueira, quando o presidente da escola citou o nome do Witzel, a reação negativa da plateia foi enorme. O público está irritado com o governador e agora, no carnaval, a realidade deverá vir a tona.

Antes de posar de vítima e santidade, o governador deveria reconhecer que foi ele quem atirou não só a primeira pedra, mas todas as outras neste festival de traições e renegação de origem.