Por Gabriel Moses

Com a chegada de fragmentos de óleo no último dia 23, na praia de São João da Barra, o Rio de Janeiro entrou para a lista de estados vítimas da poluição ambiental que atingiu fortemente o Nordeste. O impacto dessa poluição marítima vai além do aspecto ambiental e da vida marinha. As manchas também afetam diretamente moradores das regiões litorâneas atingidas, além dos trabalhadores que vivem da pesca.

Para o cientista e doutor em Biologia Molecular, Mauro Rebelo, o Rio de Janeiro tem aparatos tecnológicos e de suporte que podem combater esses resquícios de óleos. Contudo, não saber quem é o culpado dificulta que empresas ou instituições que trabalham na costa marítima tomem as responsabilidades para si.

“Temos empresas de petróleo, e elas são responsáveis por fazer as ‘respostas de emergência’, de realizar a contenção do óleo, tentar sanar o vazamento e depois tentar fazer a recuperação. Quando a gente não sabe quem é o responsável, fica difícil alguém tomar a responsabilidade por isso. Logo, essa resposta que deveria ser concentrada e rápida, fica muito defasada no tempo. E o que estamos fazendo a respeito? As coisas estão se mobilizando das formas que elas podem, com voluntários e a concentração de moradores. Mas essa não é a forma ideal de conter um vazamento”, afirma Mauro.

O cientista ainda diz que as autoridades do Rio devem agir o quanto antes para diminuir as consequências deste desastre ambiental: “Tem que usar tecnologia, tem que usar pólen no mar para impedir que a mancha se alastre. A gente tem que usar também produtos químicos para dissolver o óleo, temos que usar bactérias para comerem o óleo... Mas agora, tudo isso custa dinheiro, e não é pouco”.

Sem previsão de contenção total deste problema, e com sua propagação se arrastando por praticamente todo o litoral brasileiro, o biólogo marinho Mario Moscatelli já alertava sobre o perigo iminente desses resíduos chegarem ao litoral fluminense: “Essa mancha de óleo já virou um arquivo X! São resíduos do óleo, não propriamente o material bruto que atingiu o Nordeste. Enfim, quem entra pelo cano é a natureza, principalmente os ecossistemas de manguezais e recifes de coral”.

Para amenizar o problema, o Governo do Estado criou um grupo de trabalho especial para o acompanhamento e vigilância dessas manchas. A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade já opera para a contenção das mesmas.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o número de praias, rios, ilhas e mangues atingidos pelo óleo chega a 772. Referente à fauna, o Instituto confirma que aproximadamente 143 animais oleados foram identificados. É preciso de um basta para isso.