Por Affonso Nunes

Há seis anos, o fotógrafo Carlos Monteiro pula da cama às 4h30 para colher imagens do amanhecer na mais bela cidade do mundo. Seus cliques revelam paisagens, arquitetura, fauna, flora e habitantes em ângulos e situações inusitadas tendo apenas os primeiros raios de sol como testemunha. A predileção pelo amanhecer e não pelo anoitecer, de luz igualmente bela, é explicada pelo próprio Monteiro:

- No entardecer, a cidade está em sua pulsação. E há que se ater a esses detalhes. Já no amanhecer, as intervenções sobre o cenário são as menores possíveis. E quase ninguém aprecia esse espetáculo – explica o fotógrafo-madrugador que, a partir desta edição, vai ilustrar as páginas do CORREIO DA MANHÃ com a série “Sem palavras”. Seu trabalho já rendeu três livros – “Rio: estado de espírito” (Ed. Livros Ilimitados), “Rio ao Amanhecer” (Ed. Barléu) e “Vistas visões da Cidade Maravilhosa” (Ed. Sagre), ainda sem data de lançamento prevista.

ALÉM DOS ÂNGULOS

Para fotografar o Rio sob esta ótica não basta acordar cedo. A busca por ângulos que os cariocas não estão familiarizados implica em subir prédios, escalar montanhas, pedras, antenas, árvores e caixas d’água; adentrar em águas doces e salgadas; caminhar pela floresta tropical e na selva de pedra urbana. Drone? Nem pensar! 

- Não sou inimigo dessa tecnologia, mas tenho a necessidade de usar lentes de diferentes tamanhos que nem sempre se ajustam bem ao equipamento – argumenta.

E para chegar aos terraços de prédios num horário tão cedo, explica, era preciso negociar bastante com porteiros e síndicos, o que se transformava num complicador.

- Felizmente, pude contar com amigos em várias situações, conta.

Quando precisou chegar ao alto do Marina All Suites, no Leblon, por exemplo, o fotografo precisou negociar longamente com o CEO. No dia marcado, ninguém da recepção autorizava sua entrada.

- Mostrei o e-mail e precisei de muita lábia para poder subir, acompanhando de um segurança. Só depois percebi que tinha ido ao Hotel Marina, e não ao All Suites - diverte-se.

Flamenguista, portelense e carioca da gema, Monteiro trabalhou em veículos como a extinta revista “O Cruzeiro”, no “Jornal dos Sports” e na primeira revista dedicada ao tema fotografia do Brasil: “Foca”. Também teve ensaios publicados em outros veículos.