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Por Emanuel Alencar

A confluência dos rios Poços, Ipiranga e Queimados com o Guandu, na Baixada Fluminense, responde pela origem de muitos problemas da maior estação de tratamento de água do mundo em produção contínua, a ETA Guandu, que abastece nove milhões de pessoas. Estes rios drenam esgotos de parte de Nova Iguaçu, Queimados e Japeri (cerca de 200 milhões de litros por dia), formando, em momentos de muito calor, uma sopa de toxinas e compostos orgânicos que podem ser nocivos à saúde humana.

Episódios de bloom de algas, conferindo gosto e odor à água, não são exatamente raros. A própria Cedae admite que casos semelhantes ocorreram no estado há 18 anos; em São Paulo, em 2008, e em municípios dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Sul em 2018, por exemplo.

MANOBRAS

Técnicos da Cedae sempre recorreram a manobras para evitar o agravamento do problema. A solução definitiva, porém, existe e muita gente do ramo conhece. Está porém engavetada há 50 anos, desde que a então Promon Engenharia fez projeto para o desvio dos rios para um ponto abaixo (a jusante) da captação da estação da Cedae. 

Em 1994, a então Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) desenvolveu, com a Coppe/ UFRJ, uma nova proposta. Em 2010, a Cedae conseguiu recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para fazer a obra, orçada em R$ 50 millhões.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) chegou a conceder a licença ambiental para a intervenção. Mas nem assim o projeto não seguiu adiante.